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03/02/2010 - 14h57

Explosão mata três primeiros militares americanos no Paquistão

A embaixada dos Estados Unidos no Paquistão confirmou nesta quarta-feira o que seriam as três primeiras mortes de militares americanos em território paquistanês, na região da fronteira com o Afeganistão - onde o Paquistão tem realizado uma ofensiva contra o Talebã.

Os militares estão entre as pelos menos seis pessoas que morreram em uma explosão causada por uma bomba colocada perto de uma escola para meninas no vilarejo de Koto, no noroeste do país.

Três meninas, alunas da escola, também teriam morrido no ataque.

Um porta-voz da embaixada descreveu a explosão como um "ataque terrorista cruel".

Um porta-voz militar paquistanês, o general Athar Abbas, disse à BBC que os militares americanos estavam trabalhando no treinamento do batalhão de fronteira do Paquistão.

Segundo o porta-voz, todas as vítimas estavam indo para a inauguração de uma outra escola para meninas, reconstruída com a assistência humanitária dos Estados Unidos.

A escola que eles iriam inaugurar ficava em outra cidade, para a qual os soldados americanos estariam dirigiam em comboio juntamente com militares paquistaneses quando a bomba explodiu.

Bomba na estrada De acordo com a polícia, a bomba foi acionada por controle remoto.

A explosão derrubou boa parte da escola secundária para meninas, deixando muitas alunas debaixo dos escombros aguardando socorro.

O governo paquistanês e o americano negam a presença de grandes números de soldados americanos no Paquistão, onde a opinião pública é contra a permanência deste militares.

Segundo o correspondente da BBC em Islamabad Ilyas Khan, a notícia da morte dos três soldados americanos vai gerar constrangimento para o governo paquistanês, que sabe da desaprovação do público às relações do Paquistão com os Estados Unidos.

Os críticos acusam o presidente Asif Ali Zardari de ignorar os vários ataques americanos com aeronaves não tripuladas na região noroeste do país, que já mataram mais de 600 pessoas no último ano, de acordo com o correspondente.

Os Estados Unidos, por sua vez, alegam que seus soldados estão no Paquistão apenas para garantir a segurança de cidadãos americanos.

Talebã Azam Tariq, um porta-voz do Talebã paquistanês, o Tehreek-e-Talebã, assumiu a responsabilidade pelo ataque em uma declaração divulgada pela agência de notícias AFP.

O batalhão de fronteira do Paquistão é uma força paramilitar responsável pelas operações contra militantes na região noroeste do país, perto do Afeganistão.

Em 2009 o Exército paquistanês realizou uma grande ofensiva para retirar os insurgentes do Talebã da região de Dir (onde fica Koto) e dos distritos vizinhos de Swat e Buner.

Mas o Talebã ainda está em áreas mais afastadas, e o último ataque mostra que os militantes ainda têm muita força na região, segundo o correspondente da BBC em Islamabad Mark Dummett.

O Talebã queimou várias escolas para meninas nos últimos anos. Muitas estão sendo reconstruídas.

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