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04/02/2010 - 18h00

Embaixador dos EUA quer que Brasil reconheça governo de Honduras

O novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, disse nesta quinta-feira "ter esperanças" de que os países das Américas, entre eles o Brasil, reconheçam o governo de Porfírio "Pepe" Lobo, eleito presidente de Honduras em novembro.

"Estamos conversando com o Brasil e outros países da região que ainda não tomaram uma decisão", disse Shannon, que assumiu nesta quinta-feira o cargo, em Brasília.

O diplomata, que já havia trabalho no Brasil na gestão de Bill Clinton, disse ainda que os países da região "devem encontrar" uma maneira de reintegrar Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Honduras foi desligada da instituição no ano passado, poucos meses depois de o então presidente hondurenho, Manuel Zelaya, ser destituído do cargo. O fato foi considerado como golpe de Estado pela organização.

Diplomacia 'sem retórica'
Mesmo antes das eleições, em novembro, o governo americano já havia defendido a eleição de Porfírio "Pepe" Lobo como uma "saída democrática" para o impasse político de Honduras.

O país viveu uma crise depois que o presidente eleito Manuel Zelaya foi deposto em junho do ano passado e forçado a ir para o exterior. No seu lugar, assumiu interinamente Roberto Micheletti.

O impasse se intensificou a volta de surpresa de Zelaya a Honduras em setembro, quando ele buscou abrigo na embaixada brasileira - só deixando o local em 27 de janeiro, com a posse de "Pepe" Lobo.

Já as declarações do governo brasileiro foram no sentido contrário. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse publicamente que o Brasil não aceitaria um governo eleito sobe um "regime golpista".

Na avaliação do embaixador americano, a eleição de Pepe Lobo foi o "melhor feito" em Honduras. Ainda segundo ele, o assunto exige uma diplomacia "sem retórica".

"Uma diplomacia que tem sua base em fatos, em assuntos concretos, e não na ideologia e na retórica, é a melhor maneira de lidar com um problema como o de Honduras", disse.

Cooperação
Questionado sobre possíveis rusgas entre Brasil e Estados Unidos em questões como Irã, Haiti, Honduras e subsídios agrícolas, Shannon disse que pontos de divergência são "comuns" na diplomacia entre "grandes países".

"O trabalho da diplomacia é administrar os pontos de divergência sem afetar os pontos de convergência", disse.

Sobre a aproximação de Brasília com Teerã, o diplomata americano disse que cabe ao governo brasileiro comunicar ao Irã as "preocupações" da comunidade internacional e que o Brasil tem um "papel importante" a desempenhar na questão nuclear iraniana.

"Todos os países estão procurando uma maneira de começar o processo de diálogo com o Irã", disse.

Shannon acrescentou, porém, que esses países precisam "medir" suas ações a esse respeito.

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