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11/02/2010 - 15h18

Ahmadinejad afirma que Irã é 'Estado nuclear'

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que seu país agora é um "Estado nuclear", após supostamente ter conseguido enriquecer urânio a 20% pela primeira vez.

O anúncio foi feito durante um discurso para uma grande multidão em Teerã nesta quinta-feira, como parte das comemorações do 31º aniversário da Revolução Islâmica.

"Um dia eles falaram que não podíamos enriquecer urânio, mas com a resistência de nosso líder (...) e com a ajuda de Deus, a nação iraniana agora é nuclear", afirmou Ahmadinejad.

"Quero anunciar a vocês que anteontem o enriquecimento de combustível a 20% começou", disse.

O presidente iraniano alertou que o país tem a capacidade para enriquecer urânio a níveis mais altos. Isto, segundo analistas, permitiria que o Irã fabricasse armas nucleares.

Mas o presidente insistiu que este não é o objetivo iraniano e acusou as potências ocidentais de usar a questão nuclear para impedir o progresso do Irã.

"Todos eles sabem que, atualmente, em (na usina de) Natanz, temos a capacidade de enriquecer urânio a níveis mais altos. Por que eles pensam que, a 20%, algo poderia acontecer?" "Neste momento, em Natanz, temos capacidade para enriquecer acima de 20%, até a 80%. Mas, porque não precisamos, não vamos fazer isto", acrescentou.

Manifestações Centenas de milhares de iranianos partidários do governo se reuniram para marcar o aniversário da Revolução Islâmica.

Vários eventos oficiais estão ocorrendo em todo o país, mas a principal manifestação ocorre na Praça Azadi, em Teerã. A televisão estatal do país mostrou dezenas de milhares de pessoas nas ruas.

Este é o dia mais importante do calendário político iraniano, e o governo avisou que agirá com firmeza contra qualquer manifestação oposicionista.

A oposição está tentando organizar outros protestos, mas terá que enfrentar uma enorme operação de segurança montada pelo governo. Líderes opositores já teriam sido atacados.

De acordo com o correspondente da BBC Jon Leyne, que já viveu em Teerã mas agora está em Londres, o aniversário da Revolução Islâmica poderá ser o maior confronto entre governo e oposição desde as manifestações contra a reeleição de Ahmadinejad, em junho de 2009.

Sites como o Twitter e páginas oposicionistas na internet afirmaram que os partidários do chamado Movimento Verde - a cor adotada pelo movimento oposicionista após a eleição de 12 de junho do ano passado - estão realizando manifestações em Teerã.

A oposição está tentando colocar mais gente no centro da capital iraniana, mas estaria enfrentando a resistência de um número grande de milicianos Basij, que é uma milícia do governo.

Forças de segurança estariam armadas com gás lacrimogêneo, munição e cargas de paintball para marcar os manifestantes.

Testemunhas afirmam que as forças de segurança estariam colocando os oposicionistas em ônibus.

Imagens de cinegrafistas amadores, que mostrariam protestos da oposição, estão aparecendo no site YouTube, incluindo uma manifestação no metrô de Teerã.

Ataques e prisões O líder de oposição Mehdi Karroubi queria participar da manifestação na rua Saddeqiya, centro de Teerã, mas teria sido impedido quando seus guarda-costas foram atacados por milicianos Basij quando ele deixava o carro onde estava.

O filho de Karroubi teria sido preso quando tentou intervir.

O reformista e ex-presidente Mohammad Khatami e sua esposa Zahra Eshraghi, neta do aiatolá Ruhollah Khomeini, foram detidos e depois liberados.

Outras fontes de oposição afirmaram que as forças de segurança dispararam tiros e gás lacrimogêneo contra partidários de Mir-Hossein Moussavi, o principal adversário de Ahmadinejad nas eleições de junho.

Também há informações de protestos da oposição em cidades como Tabriz, Shiraz e Isfahan.

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