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11/02/2010 - 17h35

Amorim diz que Brasil pode negociar retaliação contra EUA

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil ainda está "aberto a negociações" que evitem uma retaliação comercial contra os Estados Unidos devido aos subsídios pagos aos produtores de algodão americanos, mas que o governo brasileiro "não pode se curvar".

"Não preferimos a via do contencioso, mas não podemos nos curvar simplesmente porque um país é mais forte", disse o chanceler em uma coletiva em Brasília nesta quinta-feira.

Amorim referia-se ao fato de a Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Brasil ter aprovado, na última terça-feira, uma lista prévia com 222 produtos americanos, no valor de US$ 2,7 bilhões, que poderão ter aumento do Imposto de Importação ao entrar no Brasil.

O possível aumento nos impostos seria uma retaliação comercial - autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) - contra os subsídios pagos pelos Estados Unidos aos produtores e exportadores de algodão do país.

"A lei internacional se aplica aos pequenos países e aos grandes países. Essa é a vantagem do sistema multilateral", disse o ministro.

"Esperança" Uma lista definitiva com os produtos a serem sobretaxados pelo Brasil deve ser divulgada pela Camex no próximo dia 1º de março.

Até lá, Amorim disse ainda ter esperanças de que "surja" uma proposta do lado americano que "convença" o governo brasileiro de que uma retaliação não é necessária.

"Agora, essa proposta tem que ser aceita pelo próprio setor que moveu a ação. Não adianta vir com uma compensação em outro setor", disse o ministro.

O chanceler também afirmou que a possibilidade de uma eventual contrarretaliação dos Estados Unidos "não faz sentido", já que as penalidades comerciais devem ser aprovadas no âmbito da OMC.

Irã Amorim afirmou ainda não ter conhecimento das declarações do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que disse nesta quinta-feira que o país está em condições de enriquecer urânio em 80%.

"Não li a notícia. Mas essa declaração, mesmo que hipotética, não contribui para o diálogo", disse o chanceler. "Eu lamentaria se fosse verdade", acrescentou.

Segundo o ministro, é preciso ainda avaliar se a declaração do presidente iraniano foi "retórica".

"Falar não é proibido. Pode não ser produtivo, mas não é proibido", disse.

Ele disse ainda ter esperanças de um acordo entre o governo iraniano e os países do Ocidente, com o apoio da Agência Internacional de Energia Atômica, mas que é preciso "flexibilidade" dos dois lados - de um, o Irã, do outro, os países do Ocidente que querem que o país mude os rumos de seu programa nuclear.

"Se você chegar com uma folha toda preenchida e disser 'assine embaixo', a única resposta que eu quero de você é que você assine embaixo, isso não vai acontecer", disse.

"Achamos que o caminho é o diálogo, e não das sanções. Enrijecer posições vai tornar mais difícil, dar um passo atrás, porque vai parecer fraqueza", disse o ministro.

Vários países, entre eles os Estados Unidos, acusam o Irã de planejar o desenvolvimento de uma bomba atômica. O Irã diz que seu programa nuclear tem fins unicamente pacíficos.

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