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12/02/2010 - 08h37

Brasil deve permanecer no Haiti por no mínimo 5 anos

Um mês depois do terremoto que devastou o Haiti e deixou mais de 230 mil mortos, os esforços de ajuda entram em uma segunda fase, e as forças brasileiras se preparam para permanecer um longo período no país.

"Acho que nossa permanência aqui vai se prolongar por, no mínimo, cinco anos", disse à BBC Brasil o comandante do Batalhão Brasileiro (Brabatt) no país, Coronel Ajax Porto Pinheiro, ecoando uma previsão já feita anteriormente pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim.

O mandato da Minustah, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, que foi criada em 2004 e é comandada pelo Brasil, é determinado pela ONU e já foi renovado várias vezes.

No próximo dia 25, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado de ministros e comandantes das Forças Armadas, irá ao Haiti para avaliar a situação no país.

Durante a visita, Lula deverá anunciar um pacote de medidas para a reconstrução do Haiti.

Entre as ações previstas no pacote - cujo orçamento ainda não foi divulgado - estão a construção de moradias e escolas e projetos de produção agrícola.

"Muita coisa deverá surgir, tanto ações por meio da ONU quanto por parte do governo brasileiro", disse o comandante do Brabatt.

Liderança
O presidente Lula já disse em várias ocasiões que o Brasil quer ter um papel importante no trabalho de reconstrução do Haiti.
Muitos analistas afirmam que, com a experiência adquirida nos seis anos de presença no Haiti, o Brasil se credenciaria a um papel de liderança nos esforços de reconstrução.

No final de janeiro, Lula liberou, por meio de medida provisória, R$ 375 milhões para ajuda após o terremoto, incluindo, além de doações, os custos de operações militares, hospitais de campanha, gastos com logística e outras obras.

O contingente brasileiro no Haiti é de 1,3 mil militares (entre eles 250 engenheiros). Até o próximo mês, mais 900 deverão chegar ao país.
Desde o terremoto, a Aeronáutica fez voos diários ao país, e os militares brasileiros trabalham na distribuição de alimentos, água e material de saúde.

Recuperação
Segundo o coronel Ajax Pinheiro, logo após o terremoto as tropas brasileiras se concentraram em ações de resgate e ajuda humanitária.
Depois de um mês, o foco passa a ser cada vez mais a segurança.

"Intensificamos as patrulhas em vários pontos", disse o comandante. "Se não houver segurança, nada mais funciona."

Apesar dos sinais da tragédia ainda permanecerem bem visíveis um mês depois, o comandante brasileiro disse que é possível ver alguns indícios de volta à normalidade nas ruas.

"O comércio voltou a funcionar, o trânsito voltou a ser como era, caótico, vemos famílias indo aos cultos, bem vestidas, como antes", disse.
"Acho que os haitianos se recuperaram do choque muito mais rápido do que se esperava. Eles têm uma capacidade de recuperação muito grande."

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