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12/02/2010 - 10h37

Reconstrução no Haiti é oportunidade para EUA mudar imagem na região, diz especialista

O trabalho de reconstrução do Haiti pode representar a oportunidade de marcar uma mudança de postura dos Estados Unidos e de melhorar sua imagem na região.

Se em ações anteriores no Haiti a presença militar americana tinha como foco apenas segurança, desta vez o governo do presidente Barack Obama tem a chance de provar que está comprometido com aspectos mais amplos no desenvolvimento do país no longo prazo.

"É uma oportunidade de adotar uma estratégia mais holística em relação ao Haiti, que inclua aspectos de viabilidade política e econômica", disse à BBC Brasil a analista Kara McDonald, especialista em planejamento multilateral de operações de paz do Council on Foreign Relations.

"O governo dos Estados Unidos já compreendia essa necessidade antes do terremoto. Agora, tem a chance de demonstrar isso", disse a analista.

Segundo McDonald, será necessário medir todos os aspectos envolvidos na recuperação do país, como saúde, educação, criação de empregos e revitalização da economia.

Desde a tragédia que se abateu sobre o Haiti há exatamente um mês, a presença americana tem sido crucial nos esforços de ajuda.

Logo após o terremoto, ao anunciar as ações americanas, Obama disse que esta seria uma das maiores operações de ajuda da história recente dos Estados Unidos.

Até o momento, os americanos já enviaram mais de 13 mil militares ao país, além de 17 navios e 120 aeronaves.

As tropas americanas distribuíram milhões de toneladas de alimentos, água e medicamentos às vítimas do terremoto.

Nova fase Agora, um mês após o terremoto, a operação no Haiti passa para uma nova fase.

"Estamos focados no longo prazo", disse nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley.

O terremoto deixou pelo menos 230 mil mortos e destruiu a infra-estrutura já precária do país, o mais pobre das Américas.

A previsão é de que sejam necessários vários anos até que todos os destroços sejam retirados e as casas reconstruídas.

Um mês após a tragédia, 700 mil sobreviventes ainda permanecem abrigados em lonas armadas sobre pedaços de madeira.

Nesta semana, o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, disse que a prioridade no momento, quando começa o período de chuvas no país, é conseguir abrigo para essas pessoas.

Agentes de saúde que trabalham no país dizem que, passada a fase de emergências e amputações, agora a grande preocupação é com o risco de epidemias e doenças provocadas pelas péssimas condições sanitárias a que estão submetidos os sobreviventes.

Doadores Segundo analistas, o grande marco dessa nova fase será a conferência internacional de doadores, prevista para o próximo mês em Nova York.

"A conferência vai medir o quanto a comunidade internacional está engajada", disse a especialista do Council on Foreign Relations.

Apesar da mudança de postura, porém, os Estados Unidos ainda permanecem impopulares em alguns países da região, e sua forte presença militar no Haiti já atraiu críticas.

McDonald afirma que a presença dos americanos por um longo período no Haiti (onde estão a pedido do presidente, René Préval) pode causar um certo "desconforto" e que o ideal seria negociar uma autorização formal da ONU.

Segundo analistas, os Estados Unidos deverão ter cuidado durante os esforços de reconstrução para não reforçar essa imagem.

"Os Estados Unidos devem fazer parte dos esforços de reconstrução, mas não como atores principais", disse à BBC Brasil o diretor do programa de estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, Riordan Roett.

"O Brasil, por exemplo, tem um papel muito importante. Eu acho que os Estados Unidos deveriam deixar para o Brasil um papel mais amplo de liderança nos trabalhos de reconstrução."

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