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13/02/2010 - 13h19

Saiba mais sobre a Operação Moshtarak

"A operação Moshtarak marcará o início do fim da insurgência." Com estas palavras, o general James Cowan, comandante das Forças britânicas na Província de Helmand, marcou o começo da maior operação militar no Afeganistão desde a derrubada do Talebã em 2001.

Milhares de soldados americanos, britânicos e afegãos, apoiados por dinamarqueses e estonianos, estão agora avançando por terra e ar em partes dos distrito de Nad Ali que há muito estavam nas mãos de insurgentes.

A bandeira do Talebã está hasteada sobre a cidade de Showal, no norte. É a sede do governo paralelo local e será um objetivo chave para as Forças britânicas no norte da região, que contam com 4 mil soldados, apoiados por 1650 militares afegãos.

A sudoeste fica a área de Marjah. Estrategistas militares acreditam que a região sirva de base para uma das maiores concentrações de insurgentes no Afeganistão e é aqui que milhares de soldados americanos estão operando.

Ajudando o povo afegão "Logo vamos eliminar o Talebã de seus redutos no centro de Helmand. Onde chegamos, ficamos. Onde ficamos, construímos", disse o comandante Cowan.

Ele discursou para centenas de soldados reunidos numa área poeirenta, bem ao lado do local onde uma vigília acabava de ser observada em homenagem aos três últimos soldados britânicos mortos no Afeganistão.

O soldado Dale Vincent tem apenas 21 anos e já está no terceiro tour no Afeganistão. Ele sente saudades da avó que acompanha o noticiário com atenção e está sempre preocupada que Dale esteja em perigo.

Mas ele está confiante de que a Operação Moshtarak será bem-sucedida.

" Estamos ajudando o povo afegão e isso protege nosso território contra terroristas. Todos sabíamos que o Afeganistão seria perigoso antes de virmos, mas esta operação não vai ser mais perigosa que antes, é apenas algo em maior escala", diz ele.

"Casa" é a palavra mais ouvida. O soldado britânico Stephen Courtney tem um filho de dois anos e está noivo com casamento marcado para agosto.

"Eu tento não pensar nos perigos. Mal posso esperar para ir para casa e ver a família e os amigos." Ameaça de bombas Também há os mais jovens, os rapazes de 18 anos que não parecem ter idade suficiente sequer para estar longe da família. Rhys James é um deles.

"Tem sido assustador às vezes, mas é aí que o treinamento vem à mente", diz ele.

O que realmente o amedronta é trabalhar à frente dos batalhões, varrendo o caminho com um detector de metais em busca de bombas improvisadas, os dispositivos plantados por militantes que já mataram e amputaram tantos por aqui.

"Fazer a varredura é a parte assustadora. Pode haver uma bomba", diz Rhys.

A doutrina do comandante americano Stanley McChystal diz que a prioridade é proteger a população e não derrotar o Talebã. Mas é claro que os insurgentes prepararam sua própria resposta à operação amplamente anunciada.

Em um aviso sombrio, o general Cowan alertou suas tropas: "Oferecemos um aperto de mão de amizade àqueles que não quiserem lutar. Aqueles que não apertarem nossas mãos encontrarão um punho fechado e serão derrotados." Baixas são esperadas e o ministro da Defesa britânico, Bob Ainsworth, alertou à população para esperar derramamento de sangue.

" Este não é de forma alguma um ambiente seguro e não importa quanto equipamento nós ofereçamos a nossos soldados, nunca poderemos eliminar o risco dessas operações", disse ele.

Contendo o Talebã Esta pode ser a maior operação já feita, mas é improvável que seja a última. Os militantes do Talebã já demonstraram ser capazes de evitar confronto direto, de desaparecer em meio à população sem deixar rastros, para voltar mais tarde quando e como os convier.

Os últimos nove anos viram um declínio contínuo de segurança no Afeganistão; milhares de civis e centenas de soldados das forças internacionais foram mortos e, no mesmo período, o Talebã se reagrupou e se transformou em uma poderosa guerrilha.

A missão no Afeganistão até agora fracassou em acabar com o clima favorável aos insurgentes.

De Londres a Washington, o apoio ao conflito está se dissipando e com eleições no horizonte tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos, a situação militar no Afeganistão chegou a uma encruzilhada fundamental.

Houve vitórias importantes em regiões como Garmsir e Nad Ali, mas as forças internacionais fracassaram até agora em controlar áreas suficientes para conter o Talebã. Este é o principal desafio.

Moshtarak significa "juntos" e é a primeira operação em que forças afegãs dividem o peso do combate.

Isso tornará necessário que as forças afegãs preencham o vácuo de segurança e mantenham o Talebã longe. Aí então, os locais devem ser persuadidos a colaborar com o governo.

Esta operação é a maior já realizada neste conflito e também a mais ambiciosa. No fim, ela pretende levar a algo que a maioria dos afegãos jamais conheceu: paz.

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