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15/02/2010 - 22h07

Irã rebate críticas e diz ser Estado democrático

O secretário-geral para o Alto Conselho de Direitos Humanos do Irã, Mohammad Javad Larijani, rebateu as críticas feitas nesta segunda-feira sobre a situação dos direitos humanos do país em um painel da ONU em Genebra, na Suíça.

"O Irã está se tornando um dos Estados democráticos predominantes na região", disse Larijani durante uma reunião de revisão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

As declarações foram uma reposta às críticas feitas por representantes da Grã-Bretanha, Estados Unidos, França e outros países ocidentais sobre os relatos de mortes, prisões e tortura que estariam ocorrendo desde as polêmicas eleições do ano passado.

O embaixador francês no Conselho da ONU, Jean Baptiste Mattei, afirmou que Teerã estaria praticando uma "repressão sangrenta" contra a população que luta por seus direitos.

Baptiste recomendou que o governo iraniano aceitasse a criação de um inquérito independente e internacional sobre a situação no país.

O representante iraniano, no entanto, afirmou que Teerã está cumprindo com todos os compromissos internacionais sobre os direitos humanos e acusou as nações ocidentais de usar a questão como "ferramenta política" para pressionar o país.

A disputada reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, em 12 de junho de 2009, desencadeou uma das piores crises políticas do Irã. Alegando fraude, os oposicionistas foram às ruas nos maiores protestos registrados desde a Revolução Islâmica de 1979. Desde os protestos, milhares foram presos e dezenas de manifestantes morreram.

Na mesma reunião em Genebra, o Brasil também manifestou sua preocupação com a situação dos direitos humanos no Irã. Sem fazer uma condenação direta, a embaixadora Maria Nazareth Farani Azevedo, representante do Brasil na ONU em Genebra, indicou apenas que o Irã teria "desafios" na área de direitos humanos, como a situação das crianças e mulheres.

'Ditadura militar' Mais cedo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, fez uma palestra no Catar, onde afirmou que o Irã está se tornando uma ditadura militar.

Segundo Clinton, a Guarda Revolucionária no Irã parece ter conquistado tanto poder que, na prática, estaria suplantando o governo.

Na palestra no campus Carnegie Mellon, a representante americana negou ainda que seu país tenha planos de atacar o Irã por causa do programa nuclear iraniano, ressaltando que os Estados Unidos desejam tentar unir a comunidade internacional para pressionar o Irã através de sanções.

Hillary Clinton está fazendo um giro pelo Golfo Pérsico como parte de uma ofensiva diplomática para que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprove a imposição de uma quarta rodada de sanções contra Teerã.

Do Catar, ela seguiu para a primeira visita à Arábia Saudita, onde se encontrou com o ministro das Relações Exteriores do país, o príncipe Saud al-Faisal.

Representantes do governo americano acreditam que os sauditas, aliados da China, podem ter um papel crucial para convencer Pequim a apoiar novas sanções contra o Irã.

O ministro, no entanto, levantou dúvidas sobre a eficácia de impor novas sanções contra o Irã. Em uma entrevista coletiva após o encontro, al-Faisal afirmou que a ameaça provocada pelas ambições nucleares do Irã requer soluções imediatas.

"Sanções são uma solução de longo prazo. Nós precisamos de uma solução imediata em vez de uma gradual", disse.

Apesar das declarações, o ministro saudita não identificou de que tipo de soluções imediatas ele estaria se referindo.

Programa nuclear No domingo, Clinton afirmou no Catar que existem provas de que o Irã está tentando construir uma bomba nuclear e pediu que o país "reconsidere suas decisões políticas perigosas".

Em um pronunciamento durante o fórum Estados Unidos-Mundo Islâmico, que está sendo realizado em Doha, Clinton acrescentou que os Estados Unidos gostariam de retomar as relações de modo pacífico com o Irã, mas que isto não acontecerá "enquanto eles continuarem construindo sua bomba".

"Eu gostaria de descobrir uma maneira de lidar com isto do modo mais pacífico possível, e certamente qualquer compromisso relevante (por parte do Irã) seria bem-vindo, mas...não queremos compromissos enquanto eles estiverem construindo sua bomba", disse.

O governo iraniano afirma que seu programa de enriquecimento de urânio tem objetivos pacíficos, como a geração de eletricidade e o uso medicinal da energia nuclear.

As potências ocidentais, no entanto, acreditam que o real objetivo seja a construção de armamentos.

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