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19/02/2010 - 10h05

Argentina buscará apoio dos vizinhos na questão das Malvinas

Em uma entrevista à BBC, o porta-voz oficial da Argentina para a questão das ilhas Malvinas (chamadas de Falklands pelos britânicos) disse que o país vai buscar apoio internacional dos vizinhos para tentar reverter a exploração de petróleo por parte do Reino Unido no arquipélago.

O conflito das Malvinas

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    As Ilhas Malvinas (Falklands) são um arquipélago localizado no Atlântico Sul cujo território, atualmente sob controle britânico, é reivindicado pela Argentina.

    As ilhas, sem moradores nativos, foram descobertas pela Espanha em 1520. Após conflitos diplomáticos com franceses e britânicos, os espanhóis mantiveram o controle do arquipélago, que passou a ser reivindicado como território da Argentina depois que Buenos Aires conseguiu independência da coroa espanhola.

    Contudo, os argentinos não conseguiram impedir que em 1833 os britânicos enviassem colonos para habitar as ilhas – e essa população, que desde então se dedica à pesca e à criação de ovelhas, deu origem à maior parte dos atuais 2.500 habitantes.

    O conflito sobre a nacionalidade das Malvinas atingiu seu ponto mais quente em 1982, quando a Argentina enviou militares para ocupar as ilhas. Em pouco mais de dois meses, o Reino Unido retomou o controle das Falklands, em um conflito no qual morreram 655 argentinos e 255 britânicos.

    A vitória consolidou o controle britânico, mas as Malvinas permanecem uma questão de honra nacional para a Argentina, que com frequência se dirige à ONU para criticar o “colonialismo” inglês no Atlântico Sul.

    Atualmente, a administração interna do arquipélago é exercida pela população local por meio da Assembleia Legislativa e do Conselho Executivo. Como não há partidos políticos, todos os parlamentares são eleitos como independentes e não existe oposição formal. O chefe do poder Executivo é Tim Thorogood.

    As questões externas e a defesa das Malvinas são controladas pelo Reino Unido por meio de um governador. Este cargo é ocupado hoje por Alan Huckle, que oficialmente representa a rainha Elizabeth 2ª.


"Estou certo de que não haverá problema para coordenar com nossos países irmãos esta decisão tomada pela Argentina", disse o deputado Ruperto Godoy, vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

No próximo fim-de-semana, os países do Grupo do Rio, que reúne diversos países da América Latina e do Caribe, se reúnem em Cancún, no México, e o deputado disse não ter "a menor dúvida de que a Argentina encontrará solidariedade de todos os países".

O país protesta contra a iniciativa britânica de iniciar a exploração de petróleo na região e convocar licitações sem comunicar a Argentina. A primeira plataforma de exploração, que pertence ao setor privado, deve chegar à ilha nos próximos dias.

"Existe especificamente uma decisão da ONU que diz que as partes têm de se abster de tomar decisões unilaterais que modifiquem a atual situação até que não se discuta e se resolva o tema da soberania deste território", afirmou Godoy.

Como resposta ao que chamou de ação "unilateral" e "agressiva", a Argentina emitiu nesta semana um decreto exigindo que todos os barcos que transitem entre o continente e as Malvinas peçam autorização prévia às autoridades argentinas.

Isso inclui "qualquer barco com material ou mercadoria que tenha a ver com a logística para avançar no processo de exploração", disse o vice-presidente da comissão parlamentar.

O governo argentino também disse que levará o tema à Organização das Nações Unidas (ONU), em uma reunião entre o chanceler do país, Jorge Taiana, e o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon.

"O que a Argentina está considerando é uma série de medidas, porque advertimos que pode haver uma violação do direito internacional e das resoluções da ONU", ressaltou Godoy.

Tensões

 

As disputas entre a Argentina e o Reino Unido envolvendo as ilhas Malvinas, sob controle britânico desde 1833, já foi objeto de uma guerra em 1982, quando os argentinos foram derrotados após tentarem uma invasão.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que o país está fazendo "todos os preparativos necessários" para proteger sua soberania sobre sua possessão.

Entretanto, ele disse que não planeja o envio de um reforço militar à região e afirmou que espera que prevaleçam "discussões sensatas" com Buenos Aires.

À BBC, o porta-voz argentino Ruperto Godoy disse que seu país quer "sentar para dialogar".

"Quero deixar claro que nossas ações serão diplomáticas, de reivindicações, de protestos, mas de maneira alguma pensando em uma possibilidade de confronto como Reino Unido", afirmou.

Ele acrescentou que uma "relação plena" com a Grã-Bretanha só será possível "a partir da definição de uma questão que hoje está em controvérsia e que aparentemente querem encobrir, a disputa de soberania" sobre as Malvinas/Falklands.

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