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19/02/2010 - 15h42

Britânicos mantêm plano de explorar petróleo nas Malvinas

As autoridades britânicas nas ilhas Malvinas (chamadas de Falklands pelos britânicos) afirmaram que a exploração de petróleo no arquipélago terá início na próxima semana, apesar da oposição do governo argentino.

No início da semana, a Argentina anunciou que iria ampliar as restrições aos navios que vão em direção ao arquipélago.

O país protesta contra a iniciativa britânica de iniciar a exploração de petróleo na região e convocar licitações sem comunicar a Argentina. A primeira plataforma de exploração já alcançou as águas na região das Malvinas.

A Assembleia Legislativa do arquipélago informou que as restrições "não surpreendem", mas prometeu que a exploração vai "começar como planejado".

Em um comunicado, a assembleia afirma que tem "todo o direito" de desenvolver "negócios legítimos" no setor de hidrocarbonetos.

"Esta é uma medida da Argentina para tentar interromper a exploração de petróleo que deve começar na próxima semana. Não é surpresa para ninguém quando eles se comportam desta forma, mas, mesmo assim, é decepcionante quando fazem isso", acrescenta o texto.

O comunicado afirma ainda que "todos os suprimentos que a indústria precisa" estão disponíveis no próprio arquipélago e diz que a exploração vai começar "se o clima permitir".

Cooperação O governo da Argentina afirmou que pretende buscar o apoio de países vizinhos para tentar ampliar o bloqueio a navios em volta das ilhas Malvinas.

O decreto assinado pela presidente Cristina Kirchner na última terça-feira determina que todos os navios que seguem em direção ao arquipélago a partir de portos argentinos precisam ter permissões especiais.

Mas o deputado Ruperto Godoy, vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, afirmou que espera que os países vizinhos cooperem com a Argentina.

No próximo fim de semana, os países do Grupo do Rio - que reúne países da América Latina e do Caribe - se reúnem em Cancún, no México, e o deputado diz não ter "a menor dúvida de que a Argentina encontrará solidariedade de todos os países".

No entanto, a plataforma de exploração Ocean Guardian, que viajava desde novembro pelo Atlântico, já chegou às águas em volta das Malvinas.

A proprietária da plataforma, a Desire Petroleum, afirmou que sua plataforma "nem chegou perto das águas argentinas" e, por isso, não pediu permissão ao governo do país.

A plataforma Ocean Guardian ficará atracada a mais de 96 quilômetros das ilhas durante o final de semana antes da exploração começar, no domingo.

A companhia acrescentou que não tomou nenhuma medida de segurança além das previstas para uma operação de "rotina".

Tensões A disputa entre a Argentina e a Grã-Bretanha envolvendo as ilhas Malvinas, sob controle britânico desde 1833, já foi objeto de uma guerra em 1982, quando os argentinos foram derrotados após tentarem uma invasão.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown disse que o país já adotou "todas as medidas necessárias" para proteger sua soberania no arquipélago.

Brown disse ainda que não planeja o envio de um reforço militar à região e afirmou que espera que prevaleçam "discussões sensatas" com Buenos Aires.

À BBC, o porta-voz argentino Ruperto Godoy disse que seu país quer "sentar para dialogar".

"Quero deixar claro que nossas ações serão diplomáticas, de reivindicações, de protestos, mas de maneira alguma pensando em uma possibilidade de confronto com a Grã-Bretanha", afirmou.

Ele acrescentou que uma "relação plena" com a Grã-Bretanha só será possível "a partir da definição de uma questão que hoje está em discussão e que aparentemente querem encobrir: a disputa sobre a soberania" nas Malvinas.

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