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21/02/2010 - 16h31

Junta promete realizar eleições no Níger

Os líderes da junta militar que tomou o poder no Níger teriam concordado em realizar eleições e estabelecer uma nova constituição, segundo o chefe da missão internacional que chegou neste domingo ao país.

"Nós discutimos com os membros da junta como o país pode voltar à vida constitucional normal o mais rápido possível. Eles nos deram as garantias necessárias e tudo será feito com a participação da sociedade civil e dos partidos políticos", disse Mohamed Ibn Chambas, que também é presidente da Comissão da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (ECOWAS, na sigla em inglês).

As declarações foram feitas após uma reunião entre a delegação internacional e representantes da junta militar.

Além de Chambas, que lidera a missão, a delegação internacional é composta ainda pelo representante do secretário-geral da ONU na África Ocidental, Said Djinnit e o comissário de Paz e Segurança da União Africana (UA), Ramtane Lamamra.

Apesar do anúncio sobre a disposição dos militares em retomar a democracia no país, Chambas não afirmou quando as eleições seriam realizadas.

Um porta-voz da junta confirmou que os militares estariam dispostos a criar uma nova constituição e em retomar a ordem constitucional.

Golpe Na última quinta-feira, os militares capturaram o presidente, Mamadou Tandja, e membros do gabinete do governo e anunciaram a suspensão da Constituição e a dissolução de todas as instituições do Estado.

Neste domingo, os golpistas afirmaram que o presidente está sendo mantido dentro do palácio presidencial e estaria em "boas condições".

De acordo com os líderes da junta, o objetivo deles é restaurar a democracia e resgatar a população "da pobreza, do engodo e da corrupção".

Pouco se sabe sobre o líder do golpe, coronel Djibo. Como comandante da "zona militar 1", encarregada de Niamey e das regiões de Dosso e Tillaberi, ele controla 40% do arsenal militar.

Um outro golpista, coronel Djibrilla Hima Hamidou, foi porta-voz da junta responsável pelo último golpe militar no país, em 1999.

O presidente do Níger foi assassinado durante aquela tomada de poder, mas a democracia foi restaurada em menos de um ano.

Um ativista da oposição, Mahamadou Karijo, cujo Partido para a Democracia e Socialismo vem fazendo uma oposição ferrenha ao regime de Tandja, elogiou os soldados por "lutar contra a tirania".

"Eles se comportam como dizem - eles não estão interessados em liderança política. Eles vão lutar para salvar o povo nigerino de qualquer tipo de tirania", afirmou à BBC.

Segundo o correspondente da BBC na capital Niamey, Caspar Leighton, a cidade permanece calma no terceiro dia após o golpe e as pessoas parecem continuar com suas atividades normais.

No sábado, milhares de pessoas foram às ruas na capital para demonstrar apoio ao golpe militar.

Artilharia pesada Tandja provocou uma crise política em agosto passado quando alterou a Constituição do país, que é rico em urânio, para permitir que ficasse no poder indefinidamente.

A Ecowas, que suspendeu o Níger da organização depois da iniciativa de Tandja, disse ter "tolerância zero" em relação a mudanças constitucionais feitas por governos.

"Nós condenamos o golpe de Estado, assim como condenamos o golpe de Estado à Constituição dado por Tandja", disse Abdel Fatau Musa, representante da Ecowas, em entrevista à BBC.

Ele disse que o grupo já enviou uma equipe para o Níger e vai manter sanções "até que a ordem constitucional seja restaurada".

História de instabilidade O governo e a oposição vêm mantendo um diálogo intermitente desde dezembro para tentar resolver a crise política do país.

Tandja, ex-oficial do Exército, foi eleito pela primeira vez em 1999 e ganhou novo mandato em uma eleição em 2004.

Seu atual paradeiro é desconhecido, mas acredita-se que os soldados o estejam mantendo em uma base militar no subúrbio de Niamey.

O Níger vem vivendo longos períodos de regime militar desde que ficou independente da França, em 1960.

É um dos países mais pobres do mundo, mas os partidários de Tandja alegam que sua década no poder trouxe um grau de estabilidade econômica.

Em sua gestão, a empresa energética francesa Areva começou a trabalhar na segunda maior mina de urânio do mundo, investindo o que se estima ser US$ 1,5 bilhão no projeto.

A Corporação Nacional de Petróleo da China assinou em 2008 um contrato de exploração de petróleo de US$ 5 bilhões com o país e com duração de três anos.

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