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22/02/2010 - 15h50

Ataque da Otan no Afeganistão mata pelo menos 27 civis

O governo do Afeganistão disse que pelo menos 27 civis morreram em um bombardeio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em uma província no centro do país no domingo, revisando número divulgado anteriormente, de 33 mortos.

A Otan confirmou o ataque, na província de Uruzgan (sul do país), e a morte de civis. O ataque deixou pelo menos 12 feridos.

A organização tinha dito antes que atingiu um comboio de insurgentes, mas forças em terra depois descobriram que entre "vários indivíduos mortos e feridos" no ataque estavam mulheres e crianças. Em nota, a Otan disse que tinha acreditado que o comboio levava membros do Talebã a caminho de um ataque contra forças militares afegãs e estrangeiras.

O governador de Uruzgan, Sultan Ali, disse à BBC que todos os mortos eram civis. Segundo Ali, o bombardeio ocorreu em uma área sob controle do Talebã e não fazia parte da ofensiva militar da Otan contra o Talebã na província vizinha de Helmand.

Um porta-voz do governador, Nisar Ahmad Khetab, disse que mais de 40 pessoas viajavam em três veículos quando o ataque ocorreu. Ele disse que um grupo de anciãos foi enviado para a área para investigar as mortes.

O governo do Afeganistão condenou o bombardeio aéreo, dizendo que foi "injustificável" e "um grande obstáculo" para a eficácia dos esforços de combate ao terrorismo.

Holanda Na província de Uruzgan fica, desde 2006, a base da missão holandesa no Afeganistão, com quase 2 mil militares. No fim de semana, a coalizão que governa a Holanda se dissolveu por divergências sobre a prorrogação da missão do país no Afeganistão para além do mês de agosto.

A morte de civis em bombardeios já vinha causando ressentimento generalizado no Afeganistão e constrangimento para a Otan.

No ano passado, o general Stanley McChrystal, comandante dos Estados Unidos e da Otan no Afeganistão, introduziu regras mais rigorosas para a atuação das forças no país em uma tentativa de minimizar mortes e ferimentos entre civis.

O general McChrystal pediu desculpas ao presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, por este incidente mais recente e prometeu realizar uma investigação completa sobre as mortes.

O comandante da Otan disse em uma declaração: "Nós estamos extremamente entristecidos com a trágica perda de vidas inocentes." "Eu deixei claro para as nossas forças que nós estamos aqui para proteger o povo afegão, e matar ou ferir civis inadvertidamente mina a confiança deles na nossa missão." "Nós vamos redobrar os nossos esforços para reconquistar essa confiança." O correspondente da BBC em Cabul Chris Morris disse que o ataque não estava ligado à Operação Moshtarak ("juntos" em dari, uma das principais línguas faladas no Afeganistão), liderada pela Otan, que está em andamento na província de Helmand, ao sul de Uruzgão.

Na semana passada, 12 civis morreram na ofensiva quando foguetes atingiram uma casa.

Cerca de 15 mil soldados afegãos e da Otan estão envolvidos na Operação Moshtarak, em sua segunda semana, a maior operação desde que o regime do Talebã foi derrubado, em 2001.

O chefe do Comando Central dos Estados Unidos, general David Petraeus, disse no domingo que ela é parte de uma nova estratégia para combater insurgentes, que provavelmente vai durar até 18 meses.

Chefe tribal Nesta segunda-feira, um influente chefe tribal afegão morreu em um atentado suicida na província de Nangarhar (leste do país), de acordo com as autoridades locais. O ataque matou ainda outras 14 pessoas.

Mohammad Haji Zaman, um poderoso comandante local durante a guerra civil afegã na década de 90, discursava para um grupo de refugiados.

Zaman vivia na cidade de Peshawar, no noroeste do Paquistão, e voltou recentemente ao Afeganistão.

Ninguém reivindicou a autoria do ataque.

De acordo com correspondentes, Mohammad Haji Zaman - também conhecido como Haji Zaman Gamsurek - desempenhou um papel importante na guerra contra militantes do Talebã e da rede extremista Al-Qaeda na região das montanhas de Tora Bora na época da invasão liderada pelos Estados Unidos ao Afeganistão, em 2001.

Ele sempre negou alegações de que permitiu que o dissidente saudita Osama Bin Laden escapasse de Tora Bora.

Chris Morris disse que Nangarhar é uma província que, sob o comando de líderes tribais locais, tornou-se mais pacífica nos últimos meses.

Mas ela fica na fronteira com o Paquistão, e é um alvo importante para militantes que desejam contrabandear armas.

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