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23/02/2010 - 05h23

Chávez e Uribe brigam durante cúpula no México

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou deixar nesta segunda-feira a cúpula de países da América Latina e do Caribe, no México, após uma discussão na qual o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, comparou o tratamento dado pelo governo venezuelano às empresas colombianas com o bloqueio americano a Cuba.

A discussão, durante um almoço fechado entre os 25 chefes de Estado e de Governo que participam da reunião, no balneário de Cancún, ameaça manchar o discurso de unidade vendido pelo anfitrião da cúpula, o presidente do México, Felipe Calderón.

Após Uribe reclamar do tratamento dado pela Venezuela às empresas colombianas, Chávez teria argumentado que o comércio entre os dois países cresceu oito vezes desde que ele chegou ao poder, em 1999.

Segundo fontes presentes no almoço, a discussão subiu de tom quando Uribe interrompeu a explicação de Chávez, que teria então soltado um palavrão e exigido que o colega o deixasse terminar de falar.

Segundo o relato de uma fonte colombiana à agência France Presse, Chávez teria acusado Uribe de planejar seu assassinato por um esquadrão paramilitar e fez menção de deixar o encontro.

Uribe teria então gritado: "Seja homem! Estas questões devem ser discutidas nestes fóruns. Você é muito corajoso para falar as coisas à distância, mas um covarde quando é para falar as coisas na cara".

A discussão teria sido apartada com uma intervenção do presidente de Cuba, Raúl Castro.

Calderón comentou as discussões em uma entrevista pela tarde e disse que os dois países "concordaram em conduzir as diferenças com um diálogo amistoso".

Segundo ele, também houve um acordo para criar um grupo de países amigos para ajudar a Venezuela e a Colômbia a eliminar suas diferenças, formado por Brasil, Argentina, República Dominicana e México.

A crise diplomática entre a Colômbia e a Venezuela teve seu auge em 2008, quando o governo colombiano bombardeou um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano, e voltou a se intensificar no ano passado, com a autorização da Colômbia para que os Estados Unidos instalem bases militares no seu território.

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