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23/02/2010 - 16h57

Cúpula em Cancún aprova novo bloco regional sem os EUA

Os presidentes dos países da América Latina e do Caribe aprovaram, nesta terça-feira em Cancún, no México, a criação de um novo bloco que represente todas as nações da região sem a participação do Canadá e dos Estados Unidos.

O organismo se chamaria, temporariamente, Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos e iniciaria suas atividades a partir de julho de 2011 - data da próxima Cúpula da América Latina e do Caribe em Caracas, na Venezuela.

"Finalmente há um consenso sobre isso, também houve discussões intensas", disse o presidente do México, Felipe Calderón.

Segundo ele, o novo bloco deve "impulsionar a integração regional e promover a agenda regional em encontros globais".

Até agora, os líderes ainda não incluíram Honduras no novo grupo regional.

O bloco seria uma alternativa à Organização dos Estados Americanos (OEA) - o principal fórum das relações regionais nos últimos 50 anos.

A OEA tem sofrido críticas de seus próprios membros após uma série de embates políticos e comerciais entre países da região e os Estados Unidos.

Princípios O novo organismo foi aprovado pelos 25 chefes de Estado e de governo que participaram da Cúpula no México.

Segundo o comunicado divulgado pelos líderes, o bloco terá entre seus princípios promover o respeito ao direito internacional, a igualdade dos Estados, evitar o uso de ameaça de força e trabalhar a favor do meio ambiente na região.

Além disso, o organismo deve promover a integração política da região assim como o diálogo com outros blocos.

As regras de operação definitivas deverão ser adotadas no evento de Caracas, no próximo ano, ou na Cúpula que ocorrerá no Chile, em 2012.

'Substituição' O presidente de Cuba, Raúl Castro, elogiou o anúncio sobre a aprovação do novo bloco, que incluiria o país, diferentemente da OEA.

Cuba foi suspensa da Organização dos Estados Americanos em 1962 por causa do sistema político socialista da ilha. Em 2009, a OEA decidiu aceitar novamente os cubanos no bloco, mas Cuba rejeitou.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já havia expressado seu apoio à proposta, afirmando que seria uma ação para distanciar a região da "colonização" americana.

Um representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que não acredita que o novo bloco substituirá a OEA.

Os termos do novo organismo e a eventual substituição do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e do Caribe pelo novo bloco ainda não foram esclarecidos.

Segundo o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, "é muito importante que não tentemos substituir a OEA".

"A OEA é uma organização permanente e tem suas próprias funções", disse.

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