UOL Notícias Notícias
 

25/02/2010 - 05h39

Atraso em condomínio faz síndico descobrir francês morto há 3 anos

A descoberta do corpo de um francês de 70 anos que tinha falecido havia três anos em seu apartamento nos arredores de Paris reacendeu o debate sobre o isolamento de idosos na França quando foi revelado, na quarta-feira.

O corpo, em estado avançado de decomposição, só foi descoberto depois que o síndico do prédio onde o idoso morava, em Asnières, na periferia de Paris, moveu uma ação de cobrança para receber o condomínio atrasado.

Após não receber nenhuma resposta em relação às inúmeras cartas de cobrança dos condomínios atrasados, desde janeiro de 2007, ele contratou um especialista em genealogia para localizar a família do idoso.

Ele acabou descobrindo a existência de um irmão. Mas esse parente não tinha contato com o septuagenário havia anos.

O síndico declarou à imprensa francesa que o idoso, proprietário de um pequeno apartamento, costumava quitar o condomínio no prazo certo e, muitas vezes, ia pessoalmente ao seu escritório para efetuar o pagamento.

"Fizemos nossas próprias investigações na vizinhança, que não levaram a nada. Ninguém tinha informações. Nós não temos o direito de violar as áreas privadas do prédio e não podíamos entrar em seu apartamento", declarou o síndico, que preferiu não se identificar, ao jornal Le Parisien.

"Pedimos ao nosso advogado para encontrar sua família e ele solicitou os serviços de um especialista em genealogia. Foi a partir disso que o corpo pôde ser descoberto", afirmou.

Alerta
Após ser informado pelo especialista em genealogia que o idoso não dava sinais de vida há pelo menos três anos, o irmão do morto decidiu alertar a polícia.

Um grupo de policiais foi ao prédio na última sexta-feira e descobriu que a caixa de correspondência do idoso estava abarrotada. As cartas mais antigas datavam de fevereiro de 2007.

Os bombeiros quebraram o vidro da janela para entrar no apartamento e descobriram o corpo do idoso no chão, em estado avançado de putrefação.

Nenhum vizinho alertou, nesses três anos, sobre problemas relativos ao cheiro causado pela decomposição ou teria ficado preocupado com o desaparecimento do morador do prédio, diz o Le Parisien.

O corpo foi levado ao Instituto Médico Legal para uma autópsia. Segundo os primeiros elementos da investigação, o idoso teria morrido de morte natural.

"Esse caso é terrível. Ele revela o drama da solidão e da marginalização. É preciso lutar contra isso e envolver lojistas, associações e vizinhos para que as pessoas não vivam tão isoladas", afirmou Sébastien Pietrasanta, prefeito de Asnières.

Em 2003, durante a onda de calor na França, que matou 13 mil pessoas, a grande maioria idosas, mais de mil famílias não se apresentaram para recuperar o corpo de seus parentes.

Após campanhas de sensibilização do governo francês, centenas de familiares se identificaram para assumir os procedimentos dos enterros.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host