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25/02/2010 - 07h50

Comissão denuncia prisão de opositores antes de enterro de dissidente

O governo de Cuba lançou uma operação policial contra dissidentes da oposição na terça e quarta-feira, segundo informou à BBC o presidente da Comissão de Direitos Humanos no país, Elizardo Sánchez.

Segundo o correspondente da BBC Mundo em Havanna, Fernando Ravsberg, o objetivo parece ser impedir que os opositores compareçam ao funeral do prisioneiro político Orlando Zapata Tamayo, morto na terça-feira após 85 dias de greve de fome.

Zapata deve ser enterrado nesta quinta-feira de manhã em Banes, sua cidade natal, há cerca de 1.000 km de Havana.

Segundo a agência de notícias AFP, cerca de 30 dissidentes foram presos em várias províncias. De acordo com Sánchez, outros 60 dissidentes estariam detidos em suas casas.

Também há informações de que um grupo de dissidentes foi interceptado pela polícia quando tentava subir em um trem em Havana.

Trancados O dissidente Jose Ramón Pupo, jornalista da agência Holguín Press e membro do Partido Republicano de Cuba (organizações clandestinas no país) disse à BBC Mundo que está preso em casa, sem poder sair.

"Na porta de minha casa está o carro patrulha 476 e os policiais nos impedem de sair de casa e não deixam ninguém entrar, nem mesmo nossos parentes", disse ele, afirmando que as autoridades não lhe deram nenhuma explicação a respeito.

Pupo confirmou que vários dissidentes foram detidos quando tentavam chegar ao vilarejo de Banes e, aparentemente, estariam presos em diferentes delegacias.

Segundo o jornalista, "há cerca de 100 opositores na cidade de Holguín e a maioria está trancada em casa, sem poder sair". Em outras províncias, disse ele, os dissidentes tiveram suas carteiras de identidade - imprescindível para viajar - confiscadas.

Reações A morte do dissidente provocou reações dentro e fora de Cuba. O presidente Raúl Castro disse que lamentava muito o ocorrido e culpou a política americana em relação a Cuba pela morte de Zapata.

A mãe do dissidente, no entanto, criticou o regime cubano afirmando que a morte de seu filho foi um "assassinato premeditado".

"Morreu Orlando Zapata Tamayo em Cuba, um lutador pacífico de direitos humanos que nunca se rendeu até o último momento. Morreu de frente, não morreu de joelhos", disse Reina Tamayo.

A mãe lamentou não ter chegado a tempo de se despedir do filho vivo no hospital, em Havana, e afirmou que as autoridades cubanas queriam enterrá-lo ainda na quarta-feira, sem dar-lhe a oportunidade de velar o corpo.

O governo americano e a União Europeia também condenaram a morte do dissidente, a primeira de um prisioneiro cubano por greve de fome em 40 anos.

"A morte de Orlando Zapata Tamayo destaca a injustiça de Cuba, que mantém mais de 200 prisioneiros políticos que deveriam ser soltos imediatamente", afirma uma declaração emitida pelo Departamento de Estado americano.

Em Bruxelas, o porta-voz da Comissão Europeia John Clancy disse à agência de notícias AFP que Cuba deveria "melhorar" a situação dos direitos humanos no país "libertando incondicionalmente todos os prisioneiros políticos".

*Com reportagem de Fernando Ravsberg, da BBC Mundo em Havana

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