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25/02/2010 - 13h49

Passaportes falsos aumentam pressão sobre Israel por crime em Dubai

O número crescente de reclamações dentro e fora de Israel contra uma ação atribuída ao serviço secreto de Israel (Mossad) em que um líder do grupo palestino Hamas foi assassinado vem aumentando a pressão sobre as autoridades do país.

Vários países alegam que os agentes envolvidos na ação usaram passaportes falsos, gerando protestos contra o governo israelense - que não confirma nem nega a responsabilidade sobre o assassinato de Mahmoud Al-Mabhouh em Dubai em 20 de janeiro.

Até agora, 26 nomes foram divulgados pela polícia da cidade dos Emirados Árabes Unidos como de suspeitos pela morte do líder do Hamas.

Após a divulgação de uma nova lista com mais 15 suspeitos, na quarta-feira, o número de cidadãos israelenses que afirmam que suas identidades foram roubadas na ação aumentou para 17.

Essas são pessoas que moram em Israel e se dizem chocadas e apavoradas, alegando que não tem nada a ver com a história de espionagem.

Além de ter seus nomes na Interpol como procurados por assassinato, esses cidadãos comuns estão tendo sua privacidade invadida.

Novos suspeitos Nesta quinta-feira, o governo australiano convocou o embaixador de Israel no país para obter esclarecimentos sobre o uso de passaportes australianos falsos por três dos suspeitos.

Com isso, a Austrália se juntou à Grã-Bretanha, França, Irlanda e Alemanha ao manifestar indignação pelo uso de seu passaporte pelos supostos agentes.

Entre os suspeitos de serem "exterminadores" estão Gabriella Barney, Bruce Joshua Daniel e Adam Korman.

A israelense Gabriella Barney, uma garota de 21 anos, é filha de Michael Barney, cujo nome já estava incluído na primeira lista divulgada por Dubai, compondo assim uma família de agentes secretos. Mas ambos dizem não ter nada a ver com a história.

Bruce Joshua Daniel foi identificado na lista como um homem, Daniel Bruce - mas, na realidade, o suspeito é uma mulher que mora na cidade israelense de Kiriat Ata e nem tem cidadania estrangeira.

Adam Korman é um afinador de violinos que mora em Tel Aviv, e sua esposa afirmou que "a família está em estado de choque, não fizemos nada de mal e não sabemos o que fazer com essa informação".

Resultados válidos? Diante do constrangimento externo e interno, vários analistas e especialistas em assuntos de inteligência questionam os resultados da operação em Dubai.

"Será que Mabhouh merecia tudo isso?" pergunta o especialista em assuntos de inteligência do jornal Yediot Ahronot, Ronen Bergman.

E ele mesmo responde: "depende a quem se pergunta, a maioria das pessoas relevantes concorda que somente caso ele próprio (Mabhouh) estivesse carregando um projétil nuclear de Teerã para Gaza, então o enorme risco, cujos detalhes jamais serão revelados, valeria a pena".

O ex-agente do Mossad, Rami Igra, disse ao canal dez da TV israelense que não acredita que o Mossad possa ser "tão desajeitado" a ponto de roubar identidades de cidadãos israelenses.

De acordo com Ari Shavit, analista do jornal Haaretz, depois do assassinato, o chefe do Mossad, Meir Dagan, deixou de ser visto como um "herói" e tornou-se um "fiasco" e em vez de ser o "querido da nação", transformou-se na "vergonha do Estado".

Quando questionado sobre o envolvimento do Mossad na operação, o ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, disse aos jornalistas que "assistem demais a filmes de James Bond".

Lieberman também afirmou que "não há provas" do envolvimento de Israel na operação.

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