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26/02/2010 - 10h06

Após detenções, dissidente teve enterro em Cuba sem incidentes

O dissidente cubano Orlando Zapata foi enterrado na manhã de quinta-feira por parentes e amigos no vilarejo de Banes, a cerca de mil quilômetros da capital de Cuba, Havana.

No resto do país, 99% dos habitantes sequer se deram conta de que um dos principais opositores do governo comunista da ilha caribenha morreu após 85 dias de greve de fome.

O motivo é simples: os meios de comunicação oficiais ignoraram o acontecimento totalmente. Mesmo assim, aos poucos, pela internet e pelas antenas parabólicas clandestinas, a informação da morte de Zapata vai chegando ao povo cubano.

O desconhecimento é tamanho que até uma vizinha da família em Banes não sabia o nome do dissidente.

"Você se refere a um dos defensores de direitos humanos que morreu?", perguntou ao repórter da BBC, por telefone.

"Não sei quem é."

Protestos no exterior

Os protestos pela morte de Orlando Zapata Tamayo se resumem ao mundo desenvolvido, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, organizados por defensores de direitos humanos como a Anistia Internacional.

Na América Latina, são poucas as manifestações. Mesmo o presidente de Luiz Inácio Lula da Silva, em visita a Cuba, apenas lamentou o fato.

A BBC confirmou que o governo montou um esquema policial desde o dia anterior ao enterro de Zapata e que "todos os revolucionários" foram advertidos.

"Meu marido foi procurado por um policial da segurança do Estado para alertá-lo sobre a situação que poderia acontecer", afirmou uma moradora de Banes.

O policial teria acrescentado para tranquilizá-lo que de qualquer maneira "cada dissidente do povoado é controlado permanentemente".

Blitz policial

A mulher confirmou à BBC que a situação no povoado é calma, mas que desde quarta-feira a polícia vem pedindo os documentos a todos os motoristas que entram em Banes.

"O corpo foi velado na casa da sua mãe, que também é uma ativista de direitos humanos. E acho que o enterro foi no cemitério de La Güira, nos arredores do povoado", afirmou a moradora.

O presidente da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, Elizardo Sanchez, afirmou à BBC acreditar que o velório e o enterro aconteceram sem incidentes, devido à detenção de cerca de 50 ativistas que "tentaram chegar ao local para render-lhe homenagem".

A única referência oficial ao falecimento do dissidente foi feita pelo presidente cubano, Raúl Castro, que a jornalistas cubanos e brasileiros lamentar a morte de Zapata, que atribuiu ao confronto entre Cuba e Estados Unidos.

Na imprensa oficial, as menções a Zapata foram eliminadas e o encontro com Lula, e os acordos assinados, ganhou todo destaque.

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