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27/02/2010 - 12h08

Para geólogo, tremor 'preenche lacuna sísmica' na região e era 'previsível'

O tremor de magnitude 8,8 que atingiu a costa do Chile na madrugada deste sábado era "previsível", segundo cientistas, porque "preenche uma lacuna sísmica" deixada por dois outros tremores devastadores no passado.

O epicentro do tremor desta madrugada se localizou a uma profundidade de 35 quilômetros, na costa da região de Bio Bio e a cerca de 90 quilômetros de Concepción.

Este ponto fica a uma distância de 230 quilômetros ao norte do foco de um outro tremor, registrado em maio de 1960, que foi o maior já mensurado por instrumentos até hoje no mundo.

Aquele incidente chegou a uma magnitude de 9,5 e deixou mais de 1,6 mil mortos.

Por sua vez, o epicentro está cerca de 900 quilômetros ao sul do foco do terremoto de 1922, que alcançou uma intensidade de 8,5 e fez centenas de vítimas.

Geofísicos explicam que o evento deste sábado preenche, portanto, uma espécie de lacuna entre dois outros eventos de grande escala do passado.

"Este terremoto preenche uma lacuna sísmica identificável", explicou o sismólogo Roger Musson, da agência geológica britânica, a British Geological Survey.

"Nenhum grande terremoto ocorreu nesta área desde 1835, quando um grande terremoto foi observado pelo (cientista britânico) Charles Darwin. Desde então, estima-se que havia um potencial acumulado de 10 metros de deslocamento." Em um estudo recente, sismólogos franceses e chilenos analisaram a forma como a terra se move na zona em resposta à tensão acumulada por colisões tectônicas.

A pesquisa sugeriu que a região estava propensa a um tremor.

Comparações com o Haiti O Chile se encontra no "círculo de fogo", uma linha de terremotos e erupções vulcânicas frequentes que afetam praticamente toda a bacia do Pacífico.

O evento deste sábado ocorreu na divisa entre as placas tectônicas de Nazca e Sul-americana, que se movimentam verticalmente, uma em relação à outra, a uma velocidade de 80 mm por ano.

A placa de Nazca, uma espécie de "chão" do Pacífico na região, está sendo empurrada para baixo, sob a costa da América do Sul. Isto torna a região uma das mais ativas, em termos sísmicos, do planeta.

Desde 1973, foram registrados 13 eventos com magnitude igual ou maior que 7.

Mas o terremoto deste sábado foi quase mil vezes mais potente que o que atingiu recentemente a capital haitiana, Porto Príncipe. Foi o maior evento no mundo desde o tsunami que atingiu Sumatra em 2004, segundo Roger Musson.

É natural que surjam preocupações a partir do fato de que o tremor em Porto Príncipe devastou a cidade e deixou cerca de 230 mil mortos, segundo as estimativas.

A questão é que força não é sempre um indicador do provável número de mortos de um terremoto. Um fator que limitará o número de vítimas no caso chileno são os níveis preparação para um evento deste tipo, maiores que no caso haitiano.

O Escritório Nacional de Emergências do país, Onemi na sigla em espanhol, é responsável por coordenar a resposta de serviços como bombeiros, médicos e defesa civil, em níveis nacionais, regionais e locais.

"O Chile é um país sísmico. Portanto, devemos estar preparados!", é a mensagem do Onemi, que provê informações sobre como se preparar para terremotos e outros desastres, e como se comportar diante deles.

Tanto as autoridades chilenas quanto os chilenos em geral têm mais informação para lidar com este tipo de emergência.

Efeitos Cientistas afirmam que é provável que tremores fortes tenham sido sentidos ao longo de 300 quilômetros de costa, incluindo centros urbanos importantes do Chile, como Arauco, Lota e Constitución.

Como era de se esperar, a região foi atingida por diversos tremores secundários. Em duas horas e meia, a agência americana de geologia, US Geological Survey, registrou 11 tremores, dos quais cinco com magnitude igual ou maior que 6.

Como o terremoto ocorreu sob o leito do mar, também há risco de tsunamis, por isso o alerta não apenas para a costa chilena, mas para a região do Pacífico em geral.

A cidade mais próxima do epicentro, Concepción, fica a 100 quilômetros de distância. Concepción forma parte da segunda maior região metropolitana do país, com uma população de cerca de um milhão de habitantes.

Danos, como prédios destruídos, são inevitáveis.

A história de Concepción está marcada por terremotos. Após um grande tremor, em 1751, a cidade foi mudada do seu local original, onde hoje fica a localidade de Penco, para um ponto mais longe do mar, no vale do Mocha.

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