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01/03/2010 - 21h09

Hillary Clinton diz que Líbia pode sofrer guerra civil prolongada

Situação de refugiados líbios já configura crise, segundo a ONU A secretária de Estado Americana, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira que a Líbia pode se tornar uma democracia pacífica ou enfrentar anos de guerra civil.

Em pronunciamento em Washington, Hillary pediu que o congresso não corte os fundos necessários para lidar com crises em outros países.

Ela voltou a pedir que o líder líbio Muamar Khadafi "saia agora, sem mais violência, nem atrasos".

"A região (Oriente Médio) inteira está mudando, e uma resposta americana forte e estratégica será essencial", disse Hillary ao comitê de Assuntos Exteriores do Congresso americano.

"Nos próximos anos, a Líbia pode se tornar uma democracia pacífica ou pode enfrentar uma guerra civil prolongada. Os riscos são grandes." O pronunciamento da secretária de Estado acontece um dia depois de os Estados Unidos começarem a posicionar navios de guerra e aviões militares nas proximidades da Líbia.

Zona de exclusão aérea Hillary Clinton pediu um inquérito sobre o papel de Khadafi no atentado contra um voo da PanAm sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, no qual cerca de 260 pessoas morreram.

Ela disse ainda que a implementação de uma zona de exclusão aérea na Líbia era uma alternativa considerada pelos Estados Unidos, apesar das possíveis desvantagens.

Também nesta terça-feira, o general James Mattis, um alto comandante militar americano no Oriente Médio, disse que a zona impediria o governo de Khadafi de bombardear manifestantes.

No entanto, Mattis ressaltou que o exército americano teria que destruir as defesas aéreas líbias para estabelecer a zona de exclusão no país.

Refugiados A situação dos refugiados na fronteira entre a Líbia e a Tunísia já é uma crise humana, segundo a ONU.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mais de 140 mil pessoas já deixaram o país.

Cerca de 70 mil já cruzaram a fronteira entre Líbia e Egito Há cenas de caos na fronteira entre os dois países com a chegada de milhares de pessoas, em sua maioria trabalhadores estrangeiros, que fogem dos conflitos entre o governo e a oposição no país.

Segundo a porta-voz do Alto Comissariado, Melissa Fleming, 14 mil pessoas atravessaram a fronteira entre Tunísia e Líbia, o maior número até agora.

"Dezenas de milhares de pessoas necessitam urgentemente serem transportadas aos seus países de origem. Com a chegada prevista de outras 10 a 15 mil pessoas, a rápida disponibilidade de transporte é fundamental para evitar uma crise humanitária", disse.

De acordo com o Acnur, 70 mil pessoas já cruzaram a fronteira entre Líbia e Egito.

Comboio Fleming disse ainda que, no escritório do Acnur em Trípoli chegam a todo o momento telefonemas de refugiados e suas famílias, que "se sentem ameaçados e perseguidos" e relatam que "vários compatriotas foram alvejados e mortos".

A porta-voz disse ainda que a assistência do governo e da comunidade local da fronteira da Tunísia é "sem precedentes", mas que eles não podem mais lidar com o grande número de pessoas cruzando a fronteira.

O governo da Líbia disse que enviará um comboio de ajuda humanitária à leste do país, que está quase completamente controlado por grupos de oposição.

Um correspondente da BBC foi levado por oficiais ao sul de Trípoli, onde lhe mostraram 18 caminhões carregados de cobertores, comida e medicamentos.

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