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01/03/2010 - 09h25

Karadzic inicia defesa e diz que causa sérvia era 'sagrada'

O ex-líder sérvio da Bósnia Radovan Karadzic afirmou, no reinício de seu julgamento no tribunal de Haia, nesta segunda-feira, que a causa sérvia era "justa e sagrada".

O réu de 64 anos responde no Tribunal Criminal Internacional para a Antiga Iugoslávia a 11 acusações, incluindo genocídio, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e outras atrocidades durante a guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995, na qual mais de cem mil pessoas morreram.

Karadzic, conhecido como o "carniceiro dos Bálcãs", insistiu por semanas em fazer a própria defesa e boicotou a maioria das sessões desde a abertura do seu julgamento, no dia 26 de outubro.

A corte acabou impondo um advogado em novembro, que compareceu com réu ao tribunal nesta segunda-feira.

A defesa tentou adiar novamente o julgamento, mas teve seu pedido negado.

Karadzic terá até terça-feira para apresentar sua sua defesa, antes que a acusação traga sua primeira testemunha na quarta-feira.

Causa 'justa e sagrada'
O ex-líder sérvio disse nesta segunda-feira que a causa dos sérvios durante a guerra da Bósnia era "justa e sagrada".

"Eu estou aqui diante de vocês não para defender o mero mortal que eu sou, mas para defender a grandeza de uma nação pequena na Bósnia e Herzegovina, que por 500 anos tem sofrido e demonstrado muita modéstia e perseverança para sobreviver em liberdade", disse à corte.

"Nós temos um bom caso. Nós temos boas evidências e provas", acrescentou.

Após essas declarações iniciais, Karadzic começou a discorrer sobre detalhes dos eventos que levaram à guerra.

Segundo o repórter da BBC Dominic Hughes, presente no tribunal, o réu está tentando demonstrar que não houve um plano pré-determinado para executar o genocídio, mas sim uma legítima defesa dos sérbios diante da agressão muçulmana.

'O carniceiro dos Bálcãs'
Karadzic ficou conhecido como o "carniceiro dos Bálcãs" por ter comandando a campanha de limpeza étnica contra os bósnios muçulmanos, em especial durante o massacre de Srebrenica em julho de 1995, quando 7 mil pessoas foram assassinadas.

No início do julgamento, em outubro, o promotor Alan Tieger disse que Karadzic "controlou as forças do nacionalismo, do ódio e do medo para perseguir sua visão de uma Bósnia etnicamente segregada".

O ex-líder sérvio foi preso em Belgrado em 2008, depois de passar 13 anos foragido.

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