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04/03/2010 - 20h45

Para comitê dos EUA, Turquia cometeu 'genocídio' armênio na 1ª Guerra

Um comitê da Câmara do Representantes dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira, uma resolução que qualifica de "genocídio" o assassinato em massa de armênios por turcos otomanos durante a Primeira Guerra Mundial, apesar da oposição da Turquia e de membros do governo de Barack Obama.

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou a resolução por 23 votos a 22, contrariando o conselho da secretária de Estado, Hillary Clinton, que recomendou que o Congresso evitasse ofender a Turquia com a aprovação da medida. O texto agora vai a plenário.

Logo após o anúncio da aprovação, o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, condenou a decisão que "acusa a nação turca de um crime que não cometeu". Erdogan chamou seu embaixador em Washington para consultas.

A Turquia, um importante aliado dos Estados Unidos na Otan, já havia advertido que a aprovação da resolução poderia prejudicar as relações bilaterais.

Em 2007, a Comissão já havia aprovado uma moção semelhante que acabou sendo arquivada antes da votação na Câmara depois da pressão do governo de George W.Bush.

Obama, no entanto, havia prometido, durante a campanha para Presidência, que classificaria o suposto massacre como genocídio.

O ministro das Relações Exteriores da Armênia, Edward Nalbandian, disse que a aprovação é um "incentivo aos direitos humanos".

"Nós apreciamos muito a decisão", disse ele à agência de notícias Reuters.

"Essa é mais uma prova da devoção do povo americano aos valores humanos e um passo importante para a prevenção de crimes contra a humanidade", afirmou.

Polêmica
A decisão do comitê da Câmara americana causou polêmica porque entrou em um ponto espinhoso da história de turcos e armênios.

Comunidades armênias em várias partes do mundo lutam há décadas para que o suposto massacre de seu povo pelos turcos otomanos entre 1915 e 1922 seja reconhecido como o primeiro genocídio do século 20.

A Turquia reconhece que muitos armênios morreram, mas afirma que as mortes fazem parte do histórico de vítima da Primeira Guerra Mundial.

Em outubro do ano passado, Turquia e Armênia assinaram um acordo para normalizar as relações entre os dois países depois de um século de hostilidade.

A Armênia se tornou uma república da antiga União Soviética em 1920 e manteve relações diplomáticas com a Turquia apenas como parte da URSS.

Desde sua independência, em 1991, o país exige que a Turquia reconheça o que diz ter sido um "genocídio".

Pelo acordo assinado em 2009, um comitê independente de historiadores seria formado para estudar as mortes.

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