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05/03/2010 - 10h43

Pai é principal suspeito de matar criança brasileira na Suíça

O principal suspeito do assassinato do menino brasileiro Florian, de 4 anos, na semana passada, em Winterthur, na Suíça, é o próprio pai, um suíço de 60 anos encontrado desacordado ao lado do garoto em um quarto de hotel, segundo a polícia.

Informações oficiais da polícia de Zurique afirmam que a Promotoria para Delitos Violentos da região também trabalha com a hipótese de que o homem, identificado como Gustav, tentou se suicidar após o crime.

Ambos foram encontrados desacordados na última sexta-feira (26 de fevereiro) por volta das 17h30m por funcionários do hotel, depois do acionamento do alarme de incêndio no quarto.

O menino Florian faria 5 anos no dia seguinte e era filho de uma brasileira, identificada apenas como Marciana. O garoto morreu pouco depois de dar entrada no hospital, segundo a polícia.

Já o pai, previamente condenado por tentativa de assassinato de outro filho há 20 anos, continua preso até que as investigações sejam concluídas.

O corpo de Florian foi enterrado nesta sexta-feira no cemitério de Chloos, no povoado de Kloten.

Guarda do pai Apesar dos antecedentes criminais, o conselho tutelar da cidade suíça em que os pais do menino viviam, Bonstetten, decidiu dar a guarda da criança ao pai, concedendo apenas direito de visita à mãe.

De acordo com o escritório do advogado Burkard J. Wolf, que representou a brasileira no início do processo de disputa pela guarda da criança, o conselho tutelar havia sido alertado sobre os antecedentes do pai por meio de uma carta de fevereiro de 2008.

A carta mencionava a tentativa de assassinato, em 1990, de um outro filho de Gustav, Reto G., que tinha 13 anos na época. Condenado pelo crime, Gustav passou 8 anos na prisão, de onde saiu em 1999. Marciana acabou procurando ajuda de outro escritório de advocacia e não teve sucesso na disputa com o ex-parceiro.

O advogado, apesar de não mais ter representado Marciana na fase seguinte do processo, disse à BBC Brasil que a explicação recebida pela brasileira ao ter a guarda do menino recusada foi a de que o pai, por trabalhar como contador em casa e por poucas horas por dia, tinha mais condições de se dedicar à criança do que ela, que trabalhava fora.

Após o alerta sobre o risco à criança, as autoridades teriam apenas passado a guarda provisória para uma família vizinha do pai, o que acabou não impedindo o acesso do suíço à criança.

"Ainda não decidimos que medidas legais serão tomadas. Teoricamente, há algumas possibilidades, mas a mãe está muito abalada. Disse apenas que não quer indenização ou vingança, quer apenas que algo assim não ocorra novamente", disse à BBC Brasil o advogado. Ele disse ainda estar em contato com o consulado, discutindo o que pode ser feito no caso.

'Crueldade evidente' "A crueldade do pai fica ainda mais evidente com o fato de o filho ter sido morto um dia antes de completar cinco anos", acrescentou.

A imprensa suíça acompanhou o enterro de Florian nesta sexta-feira e informou que Marciana teria dito que todos eram bem vindos à cerimônia, com a exceção das autoridades tutelares que ela responsabilizaria pela morte do filho.

O meio irmão de Florian, que sobreviveu à tentativa de assassinato do pai aos 13 anos, mas ficou paraplégico, teria acompanhado o enterro, segundo a imprensa.

A própria vítima desse ataque, Reto G., hoje com 33 anos de idade, tinha prestado depoimento a pedido dos advogados da mãe durante a disputa da guarda de Florian em 2008, alertando as autoridades sobre os antecedentes de violência do pai.

Segundo os jornais suíços, o diretor para Justiça de Zurique, Markus Notter, determinou a abertura de um inquérito sobre o processo de concessão de guarda de Florian pelas autoridades de Bonstteten.

O consulado brasileiro em Zurique afirmou estar acompanhando as investigações sobre o caso e disse que está em contato com o Itamaraty, em Brasília, para decidir que tipo de apoio prestar a Marciana.

Espanha As causas da morte de Florian ainda não foram reveladas.

Marciana e Gustav se conheceram em Valência, na Espanha. Eles não eram casados, mas resolveram viver juntos em Bonstetten, na Suíça, depois do nascimento de Florian, em 27 de fevereiro de 2005, em Valencia.

No início de 2008, o casal se separou e Marciana considerou voltar ao Brasil levando o garoto consigo, o que levou à disputa pela guarda de Florian na Justiça.

O ataque em 1990 contra o filho Reto se deu após Gustav levar o garoto de 13 anos para uma excursão, segundo a imprensa. Gustav estrangulou-o até que perdesse os sentidos, deu-lhe um golpe com um pedaço de pau e o jogou de uma ribanceira de 30 metros.

O garoto passou a noite desacordado no frio, sofreu várias fraturas e ferimentos na cabeça e acabou tendo hipotermia nas pernas, o que levou à invalidez.

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