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06/03/2010 - 08h51

Islândia realiza referendo sobre pagamento de dívidas de banco

Os islandeses devem votar "não" em um referendo neste sábado sobre o plano de reembolsar os governos britânico e holandês depois da quebra do banco online Icesave durante a recente crise financeira global.

A Grã-Bretanha e a Holanda querem o reembolso pelos US$ 5,2 bilhões que seus governos pagaram aos clientes britânicos e holandeses do banco depois de seu colapso, em 2008.

Até a última hora, ninguém sabia se o referendo seria realizado ou não, mas as negociações sobre as condições do pagamento foram interrompidas na sexta-feira sem que os três países chegassem a um acordo, fazendo com que a votação fosse adiante.

Os islandeses vão decidir nas urnas se aprovam, ou não, o plano de pagamento acordado em dezembro passado. O plano foi aprovado pelo governo de Reykjavik, mas rejeitado pela presidência, que convocou a consulta popular.

A primeira-ministra da Islândia pediu aos eleitores que não compareçam às urnas, afirmando que as condições de pagamento podem ser melhoradas.

Johanna Sigurdardottir afirmou que não vai votar, já que seu governo procura continuar a negociação com a Grã-Bretanha e a Holanda.

Os três lados disputam a taxa de juros cobrada na dívida. Aparentemente, desde a proposta de dezembro passado, as condições já foram melhoradas, mas não estão refletidas no referendo deste sábado.

As pesquisas de opinião sugerem que a maioria dos eleitores vai rejeitar o referendo. A vitória do "não" poderá colocar em risco bilhões de dólares em empréstimos do Fundo Monetário Internacional e de outros países à Islândia.

O ministro das Finanças, Steingrimur Sigfusson, tentou diminuir a importância do referendo, afirmando que é importante "não interpretar demais o resultado".

"Queremos deixar bem claro que a vitória do 'não' não significa que nos recusamos a pagar. Vamos cumprir nossas obrigações. Afirmar qualquer coisa diferente é altamente perigoso para a economia de nosso país."
O governo esperava fechar um novo acordo com a Holanda e a Grã-Bretanha a tempo de evitar o referendo.

Muitos islandeses defendem que o plano de pagamento seja rejeitado porque acreditam que estão sendo penalizados pelos erros da indústria bancária.

Segundo o presidente Grimsson, nas últimas semanas os próprios governos britânico e holandês reconheceram que o acordo é injusto, o que já seria um tremendo avanço.

Com a vitória do "não", o presidente islandês espera retomar as negociações.

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