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07/03/2010 - 08h01

Iraque elege Parlamento em meio à violência

Pelo menos 24 pessoas morreram em uma série de 20 explosões no Iraque neste domingo, quando os iraquianos vão às urnas escolher o novo Parlamento.

Pelo menos dois prédios foram destruídos em Bagdá e dezenas de morteiros foram lançados na capital e outras cidades. Esta é a segunda eleição parlamentar no Iraque desde a queda de Saddam Hussein, em 2003.

A fronteira com o Irã foi fechada, com milhares de soldados mobilizados e o tráfego de veículos proibido.

O primeiro-ministro Nouri al-Maliki pediu aos eleitores que comparecessem em massa, afirmando que a ampla participação fortaleceria a democracia.

A violência vem diminuindo no Iraque nos últimos anos, com o número de vítimas fatais entre civis, policiais iraquianos e soldados americanos consideravelmente mais baixo.

Mas centenas de pessoas ainda são mortas todos os meses, a corrupção é alta e serviços básicos, como eletricidade, ainda não são confiáveis.

Prédios destruídos
Em um dos ataques deste domingo, 12 pessoas morreram e oito ficaram feridas quando uma explosão destruiu um prédio residencial no norte de Bagdá, disseram as autoridades, pouco depois de outra explosão que causou a morte de cinco pessoas na cidade.

Sete pessoas morreram em outros atentados no país, mas as informações são de que nenhum dos postos de votação foi atingido.

As milícias islâmicas prometeram usar a violência para atrapalhar o processo de votação - um grupo afiliado à al-Qaeda distribuiu panfletos avisando às pessoas para não comparecer às urnas.

Mais de 500 mil integrantes das forças de segurança do Iraque foram mobilizados para tentar evitar que os atentados interrompessem as eleições.

Vários morteiros foram lançados nesta manhã, principalmente dos bairros sunitas da capital.

O premiê afirmou à BBC que a violência não deve impedir que os iraquianos compareçam às urnas.

"A maioria dos ataques é perpetrada para aterrorizar os eleitores psicologicamente e evitar que eles compareçam às urnas", disse Maliki.

"Mas é sabido que quando os iraquianos são desafiados pelo terror, eles o desafiam também."
Em alguns bairros, os alto-falantes das mesquitas convocam os eleitores a votar.

Novo Parlamento
Cerca de 19 milhões de iraquianos estão capacitados para eleger os 325 membros do novo Parlamento. A votação deverá ser encerrada às 11h00 am (hora de Brasília), a não ser que o horário seja estendido.

A última eleição parlamentar, de 2005, elegeu o premiê Nouri al-Maliki com os partidos xiitas dominando a casa, e a expectativa é de que ele mantenha o cargo.

A questão é se ele vai conseguir atrair a minoria sunita para seu governo e fazer com que eles sintam que têm voz sobre o futuro político do Iraque.

O presidente Jalal Talabani, que busca um novo mandato, foi um dos primeiros a votar neste domingo, na cidade curda de Sulamaniyah. Ele afirmou que as eleições marcam um passo e um teste para a marcha iraquiana em direção à democracia.

Em uma rara aparição pública, o clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr, falando no Irã, pediu aos iraquianos que compareçam às urnas e rejeitem a violência.

As eleições deste domingo são vistas como um teste crucial para o processo de reconciliação nacional do Iraque, antes da retirada dos militares americanos.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, planeja retirar as forças de combate do país até meados deste ano, e a expectativa é de que todos os militares americanos deixem o Iraque até o fim de 2011.

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