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08/03/2010 - 18h46

Farc exigem garantias de segurança para entrega de reféns

As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) exigiram nesta segunda-feira do governo colombiano a desmilitarização de uma zona no interior do país para a libertação de dois soldados - um deles gravemente doente - que estão em poder da guerrilha há mais de dez anos.

As negociações para a libertação de Pablo Emilio Moncayo, Josué Daniel Calvo e a entrega dos restos do corpo do policial Julián Ernesto Guevara, morto em cativeiro, se arrastam desde abril do ano passado, quando as Farc anunciaram o gesto de maneira unilateral.

A guerrilha exige que o governo de Álvaro Uribe anuncie um cessar-fogo e a interrupção de operações aéreas na região onde serão libertados os reféns, para garantir a movimentação dos rebeldes envolvidos e da missão humanitária que participará do resgate.

"Imediatamente o governo torne público o texto com os protocolos de segurança e (caso) eles sejam satisfatórios, avançaremos com velocidade" para a libertação dos reféns, diz um comunicado da guerrilha publicado pela Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol), próxima às Farc.

Ainda por meio do comunicado, as Farc informaram que o estado de saúde do soldado Calvo é "precário" e que permanentemente o refém tem que ser carregado pelos guerrilheiros "em meio às operações militares do Exército", fator que "aumenta os riscos tanto para ele como para nossas unidades (rebeldes)".

Operação
O governo colombiano, por sua vez, anunciou que não ordenará um cessar-fogo antes das eleições legislativas do próximo domingo, como era a expectativa dos familiares dos reféns.

"Estamos empenhados em garantir a segurança do processo eleitoral. Não seria lógico suspender as operações" militares, disse o general Freddy Padilla, comandante das Forças Armadas da Colômbia.

"Os colombianos devem compreender que é impossível realizar operações humanitárias esta semana para libertar companheiros que faz tempo deveriam estar livres", afirmou.

Quando for autorizado o resgate, a senadora opositora Piedad Córdoba, - designada pelo governo para mediar a libertação - deverá receber as coordenadas do local do resgate.

Além de Córdoba, participarão da missão humanitária o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, um representante da Igreja Católica, o pai do cabo Moncayo e a mãe do policial morto em cativeiro.

Assim como ocorreram nas duas libertações de reféns anteriores, o Brasil apoiará com aeronaves e a tripulação para o resgate.

Impasse
O impasse para estas duas novas libertações ocorreu devido à negativa do governo de autorizar entregas graduais dos reféns.

O governo de Álvaro Uribe considera que as Farc buscam recuperar sua imagem internacionalmente ao promover libertações incondicionais e paulatinas, razão pela qual o governo exigia a entrega simultânea dos 24 oficiais que ainda são mantidos em cativeiro.

Meses depois, Uribe cedeu aos pedidos dos familiares e autorizou a missão humanitária de resgate.

Se concretizada, a libertação do oficial Montoya dará fim a um dos mais emblemáticos casos que marca o conflito militar interno na Colômbia.

Desde o sequestro do filho, há mais de 12 anos, o professor Gustavo Moncayo passou a realizar caminhadas dentro e fora da Colômbia com uma corrente presa ao corpo para exigir ações que resultassem na libertação do filho e em uma saída negociada para a guerra que dura mais de seis décadas.

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