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11/03/2010 - 07h59

Órgãos britânicos admitem omissão em caso de pai que estuprou filhas por 30 anos

Uma auditoria realizada na Grã-Bretanha para tentar descobrir como foi possível que um pai pudesse, ao longo de 30 anos, estuprar e engravidar 18 vezes suas duas filhas sem que os abusos fossem detectados, concluiu que 28 órgãos públicos britânicos falharam no caso.

Os órgãos de proteção à criança das cidades de Sheffield e Lincolnshire, onde a família viveu, reconheceram que perderam diversas oportunidades de detectar e por um fim ao martírio das garotas, e pediram desculpas durante a apresentação dos resultados da auditoria em Derby, no norte da Inglaterra.

O relatório mostrou que, desde os anos 70 até 2008, ano em que o caso veio à tona e que o pai foi condenado à prisão perpétua, cem funcionários de 28 órgãos públicos, incluindo assistentes sociais, médicos, enfermeiros e policiais, estiveram em contato com a família. No entanto, nenhum deles foi capaz de detectar a gravidade do que estava ocorrendo e afastar as vítimas do pai, que chegou a ser chamado pela imprensa britânico como o "Fritzl britânico", em alusão ao famoso caso do austríaco que teve vários filhos com sua filha, mantida presa no porão de sua casa por 24 anos.

A diretora da escola das vítimas e médicos que as atenderam em algum momento chegaram a manifestar preocupação com os ferimentos não-acidentais apresentados pelas garotas e com sua falta de higiene. Porém, nada foi feito a respeito.

Familiares das vítimas registraram sete denúncias de abuso sexual contra o pai, mas as acusações não foram investigadas até o fim.

As vítimas foram questionadas 23 vezes por autoridades desses órgãos públicos sobre a paternidade de seus filhos, porém as dúvidas pararam por aí.

Diante dessa sequência de omissões, o relatório concluiu que "oportunidades (de interromper os abusos) foram perdidas individualmente e coletivamente".

"As dúvidas que foram identificadas (sobre a família) deveriam ter resultado na remoção das crianças para um lugar seguro, mas isso não ocorreu", disse Pat Cantrill, autora do relatório .

Pedidos de desculpas
"Nós queremos pedir desculpas à família no centro desse caso. Está claro que nós falhamos com essa família", declarou na quarta-feira Sue Fiennes, representante do órgão de proteção à criança de Sheffield.

Fiennes explicou porque tantos profissionais tiveram acesso ao caso, mas nenhum agiu.

"Profissionais imaginaram, erradamente, que, apesar das vozes de suspeita levantadas por outros membros da família, eles não poderiam agir a menos que recebessem uma denúncia direta das vítimas".

Segundo ela, foi um erro supor que mulheres nessas circunstâncias necessariamente denunciam os abusos a que são submetidas, já que 40% das vítimas desse tipo de violência não notificam as autoridades.

Os órgãos de proteção de crianças revelou na quarta-feira que ninguém foi demitido ou se demitiu em decorrência do caso, pois não foi uma falha individual específica que permitiu a perpetuação dos abusos.

"Houve falhas coletivas. Nós todos falhamos com essa família", reconheceu Fiennes.

Os abusos
As garotas, assim como seu irmão, começaram a ser violentadas ainda na pré-adolescência. Caso se recusassem às investidas do pai, sofriam agressões físicas.

De um total de pelo menos 18 gestações decorrentes do incesto, nove terminaram em aborto induzido ou natural. Das crianças que nasceram, duas morreram no parto.

O juiz Alan Goldsack, responsável pelo julgamento de 2008 que condenou o pai à prisão perpétua, disse que aquele era o pior caso que havia visto em 40 anos de carreira. Ele então requisitou que fosse investigado por que as autoridades não intervieram antes.

Além de apontar as falhas, o relatório desta semana faz 128 recomendações para tentar impedir que tal omissão se repita.

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