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11/03/2010 - 09h23

PIB do Brasil cai 0,2% em 2009, mas cresce 2% no 4º trimestre

A economia brasileira fechou o ano de 2009 com uma retração de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar do resultado negativo, o PIB se recuperou no quarto trimestre de 2009 e voltou a crescer de forma expressiva, com uma expansão de 2% na comparação com o trimestre anterior.

A crise financeira internacional, que já havia afetado a economia brasileira no final de 2008, também prejudicou o resultado do PIB no ano passado, sobretudo no primeiro semestre.

Mas, apesar de o PIB ter fechado o ano no vermelho, analistas de mercado consideraram "extremamente positivos" os números do quarto trimestre.

"Os dados mostram que o país entrou em uma forte recuperação no final do ano passado, e isso dá a dimensão do que está por vir", diz o economista André Perfeito, da Gradual Investimentos.

Segundo Perfeito, um PIB negativo "nunca é bom", mas, agora, os analistas estão com suas atenções direcionadas ao desempenho da economia em 2010.

Destaques O consumo das famílias, item de maior peso no cálculo do PIB brasileiro, cresceu 1,9% no 4º trimestre, na comparação com o trimestre anterior. No acumulado do ano, a expansão foi de 4,1% em relação a 2008.

Os dados divulgados pelo IBGE também apontam para a recuperação dos investimentos privados, que haviam sido reduzidos diante da crise financeira.

No último trimestre do ano passado, essa taxa - que reflete o quanto os empresários estão investindo em equipamentos - cresceu 6,6%, chegando a 16,7% do PIB. Apesar da alta, a taxa é a pior desde 2006, segundo o IBGE.

Com isso, o número volta a se aproximar do registrado antes da crise econômica, quando a taxa de investimentos chegou a 20,1% do PIB.

Do lado da oferta, ou seja, dos setores que produzem riqueza, a indústria foi um dos principais destaques, com crescimento de 4% em relação ao terceiro trimestre.

Já o setor de serviços, que tem forte peso sobre a economia brasileira, cresceu 0,6%, enquanto o PIB da agropecuária, afetado por safras menores, manteve-se estável na variação trimestral.

Crescimento O crescimento do quarto trimestre de 2009, segundo os analistas, funciona como um "termômetro" do que está por vir ao longo de 2010.

A expansão de 2% da economia de outubro a dezembro equivale a um crescimento anual superior a 7%, sem considerar os ajustes sazonais.

O consumo das famílias deverá se manter como o principal motor do crescimento econômico, mas os economistas também apostam na recuperação dos investimentos privados.

"A formação bruta de capital fixo (investimentos) é, sem dúvida, o item que está animando as projeções", diz o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Entre os componentes do PIB que devem continuar prejudicados em 2010 está o setor externo, ou seja, as exportações. "Não tanto pela crise, mas em função do real valorizado frente ao dólar", diz o economista Otto Nogami, do Insper.

A expectativa, segundo a pesquisa Focus do Banco Central, é de que o PIB brasileiro tenha uma expansão de 5,5% em 2010.

Inflação Se por um lado os analistas estão otimistas quanto à expansão da economia em 2010, há também preocupação de que o PIB possa estar crescendo "rápido demais" - o que resultaria em uma inflação maior.

De acordo com o levantamento do Banco Central junto aos agentes de mercado, o Brasil deverá fechar o ano com uma inflação de 4,99%, mas o número apontado nas previsões vem aumentando a cada semana.

O resultado pode ser a elevação dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, cuja próxima reunião está marcada para a próxima semana.

A expectativa do mercado é de que a taxa básica de juros, a Selic, seja elevada apenas em abril, na reunião seguinte. Ainda de acordo com as previsões, os juros devem sair dos atuais 8,75% para 11,25% no final do ano.

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