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11/03/2010 - 14h28

Susto por novo tremor cala chilenos no dia da posse de Piñera

O táxi passava na avenida em frente ao porto de Valparaíso, o principal do Chile, quando o carro preto e amarelo começou a tremer. Era como se várias pessoas estivessem empurrando o automóvel para cima e para baixo, com movimentos seguidos.

O taxista Fernando Morales disse: "É terremoto. Veja como tudo se balança". As palmeiras, os fios e os postes, tudo balançava.

Os policias militares pararam o trânsito. As pessoas saíram das casas e edifícios e ficaram nas ruas com expressão de susto. Tudo durou alguns segundos, difícil dizer quantos. Mas foi em silêncio. Todos em silêncio. Nada de buzinas ou vozes, nada.

Imediatamente, as linhas telefônicas pararam de funcionar. Eu não conseguia ligar para o Brasil, e o taxista não conseguia ligar para a mulher e o filho pequeno que estavam em casa, em outra região da cidade.

O taxista ligou a rádio Biobio, e um repórter ofegante dentro do Congresso Nacional, onde o novo presidente do Chile, Sebastián Piñera, se preparava para assumir o cargo, contou que tudo balançou dentro do local.

"Cortinas, lustres, cadeiras... mas os 1,2 mil convidados ficaram tranqüilos. Não houve pânico", afirmou.

Pouco depois, o presidente Piñera entrou no edifício, onde receberia a faixa presidencial e faria seu primeiro discurso como presidente - o primeiro da centro-direita a chegar ao poder, pelo voto popular, após 52 anos.

Tsunamis As rádios informavam que foi uma das piores réplicas do histórico terremoto de 27 de fevereiro, de magnitude 8,8. Desta vez, o tremor alcançou a magnitude 7,2 e foi sentido, com maior ou menor grau, em diferentes regiões do centro-sul do país, incluindo a capital Santiago.

Quando parou de tremer, o taxista disse: "Não tenho medo dos tremores, já estamos acostumados. O pavor agora é com os tsunamis".

O carro seguia o trajeto a poucos metros do Oceano Pacifico, em um dia nublado e frio. Um dia histórico porque, pela primeira vez em 20 anos, a coalizão de centro-esquerda, Concertación, passa a faixa presidencial para a oposição.

Mas esse não era o assunto nas ruas de Valparaíso. Já no elevador que liga a parte alta e baixa da cidade, quatro mulheres só falavam no terremoto.

"Estou tentando falar com meu marido, e não consigo", disse uma. "E ainda vamos viver pelo menos dois meses com essa agonia das réplicas fortes", afirmou outra.

Valparaíso foi arrasada em 1906 por um terremoto e tsunamis. A cidade foi reconstruída e é ponto turístico, que inclui duas das três casas do escritor Pablo Neruda. No terremoto de 27 de fevereiro, grande parte de seus prédios históricos - como o teatro municipal - foi abalada.

Nesta quinta-feira, pelo menos outros dois fortes tremores marcaram a parte da manhã em Valparaíso. O Chile tem sentido várias réplicas desde o dia do grande terremoto, quando várias cidades ficaram às escuras e centenas de pessoas morreram.

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