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12/03/2010 - 13h58

Mãe e padrasto de menina que morreu de fome são condenados na Grã-Bretanha

A mãe e o padrasto de uma garota de 7 anos que morreu de fome em maio de 2008 foram sentenciados à prisão nesta sexta-feira por homicídio culposo.

Quando foi resgatada de sua casa em Birmingham, Grã-Bretanha, a menina Khyra Ishaq estava esquálida, pesando apenas 16,5 quilos. Ele foi declarada morta ao chegar ao hospital local.

Sua mãe, Angela Godon, de 35 anos, que havia sido considerada culpada de homicídio culposo no mês passado, foi sentenciada nesta sexta-feira a 15 anos de prisão, dos quais sete e meio deverão ser cumpridos na cadeia e o restante em liberdade condicional.

A pena do padrasto da menina, Junaid Abuhamza, de 31 anos, também foi de prisão. Mas o período de 7 anos e meio de cadeia poderá ser estendido por tempo indeterminado.

"Abuhamza sofre de esquizofrenia e apesar de ele estar em condições de aparecer na corte, três psiquiatras concordaram que ele necessitará de suporte e monitoramento pelo resto da vida", disse o repórter da BBC Peter Wilson.

Segundo ele, a corte considerou que, devido à sua condição psicológica, o réu pode representar um risco para o público. Por isso, não será posto em liberdade até que "demonstre não ser mais uma ameaça para a comunidade".

Comportamento 'cruel' O juiz responsável pelo caso, Roderick Evans, descreveu como "cruel" o comportamento dispensado pelo casal à filha.

À corte foi dito que Khyra morreu de uma infecção causada por meses de inanição. A casa dela, porém, estava repleta de alimentos, os quais não eram fornecidos à menina nem aos seus cinco irmãos. Dois deles também estavam desnutridos quando foram resgatados.

Nas raras ocasiões em que eram alimentadas, as crianças compartilhavam uma porção de pão ou de mingau que comiam com as mãos.

Evans disse a Gordon que sua atitude foi "horrível", ainda mais pelo fato de ela ser a mãe da menina.

"Não é correto dizer que essas crianças sofreram por negligência. Negligência é uma descrição inadequada e inapropriada da forma como as crianças foram tratadas", disse o juiz.

Para o magistrado, "elas foram sujeitas a um regime doméstico de punição que era assustador por sua dureza e crueldade".

Assistência social Na sessão judicial que os condenou no mês passado, o tribunal ouviu que a menina ainda estaria viva, caso os serviços de assistência social tivessem detectado a crueldade que vinha ocorrendo.

"É inacreditável que, em 2008, em uma cidade agitada, frenética e moderna como Birmingham, uma criança de sete anos fosse tirada da escola e a partir de então mantida em condições esquálidas por um período de cinco meses antes que ela finalmente morresse de inanição", afirmou a juiza King que comandou o julgamento.

O caso se soma a uma série de ocorrências em que os serviços de assistência social britânicos são acusados de falhar em sua missão de proteger as pessoas, em especial as crianças.

Na quinta-feira, foi divulgada uma auditoria que revelou que 28 órgãos públicos britânicos falharam no caso do pai que, ao longo de 30 anos, estuprou e engravidou 18 vezes suas duas filhas.

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