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12/03/2010 - 20h09

Obras em Jerusalém abalaram relação de Israel com EUA, diz Hillary

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse ao primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que o anúncio da construção de novas casas em assentamentos em Jerusalém Oriental prejudicou a relação entre os dois países e a confiança dos EUA quanto ao comprometimento de Israel com o processo de paz.
Segundo o Departamento de Estado, Clinton telefonou ao premiê israelense na manhã desta sexta-feira para "deixar claro que os Estados Unidos consideram o anúncio um sinal profundamente negativo sobre a abordagem de Israel para com a relação bilateral, e contrário ao espírito da viagem do vice-presidente (Joseph Biden, ocorrida esta semana)".

Um porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, disse que Clinton "reforçou que essa ação minou a confiança no processo de paz e nos interesses dos Estados Unidos".

O governo de Israel anunciou na terça-feira que pretende construir 1,6 mil novas casas em assentamentos em Jerusalém Oriental.

O anúncio foi feito durante uma visita de Biden a Israel e aos territórios palestinos e provocou constrangimento ao vice-presidente americano, que estava na região para tentar promover o início das negociações indiretas entre os dois lados.

O congelamento dos assentamentos judaicos em territórios palestinos é uma questão considerada crucial pelos palestinos para a retomada das negociações de paz.

Comprometimento
"A secretária disse que não pode entender como isso aconteceu, principalmente à luz do forte comprometimento dos Estados Unidos com a segurança de Israel", disse o porta-voz ao comentar a conversa telefônica.

"E ela deixou claro que o governo israelense precisa demonstrar não apenas por meio de palavras, mas com ações específicas, que está comprometido com essa relação e com o processo de paz", afirmou Crowley.

Na terça-feira, diante do mal-estar provocado pela notícia das novas construções, Netanyahu disse a Biden que "não sabia que o anúncio seria feito".

Nesta sexta-feira, ao falar do telefonema, Crowley foi questionado sobre se o fato de Clinton dizer que "não pode entender como isso aconteceu" significava que os Estados Unidos não aceitam a explicação de Netanyahu.

"Como nós já dissemos, nós aceitamos o que o primeiro-ministro Netanyahu disse. Mas, ao mesmo tempo, ele é o chefe do governo israelense e é o responsável em última instância pelas ações daquele governo", respondeu o porta-voz.

Israel anunciou nesta sexta-feira que fechou as entradas para a Cisjordânia por 48 horas alegando motivos de segurança. A medida foi criticada pela União Europeia.

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