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15/03/2010 - 09h22

Sweig: 'Brasil tem expectativas um pouco altas' sobre apoio dos EUA no Conselho de Segurança

Brasil espera apoio público dos EUA a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU
BBC Brasil - O governo brasileiro gostaria de ouvir do presidente Obama um apoio público à entrada do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, da mesma maneira que ele fez quando visitou a Índia no ano passado. Há sinais de que ele vá fazer isso?
Sweig - Algumas pessoas no Brasil têm grandes expectativas sobre um apoio dos Estados Unidos a um assento permanente para o país no Conselho de Segurança. Eu acho que, para os Estados Unidos, não há problema em fazer isso. Em termos de política externa isso faria enorme sentido, mudaria dramaticamente a dinâmica em muitas diferentes frentes, internacionalmente, para o Brasil, obviamente, mas também para os Estados Unidos.

Dito isso, acho que as expectativas podem estar um pouco altas. Washington ainda está se recuperando do episódio do Irã no ano passado (quando Brasil e Estados Unidos discordaram sobre a aplicação de sanções contra o programa nuclear iraniano). Mas a declaração da secretária (de Estado americana, Hillary) Clinton feita quando o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, esteve aqui, foi muito clara, de que Washington reconhece a legitimidade da busca brasileira por esse assento. Acho que isso é um excelente passo adiante. Isso significa que Obama vai, neste fim de semana, anunciar sua bênção ao assento brasileiro? Veremos.

BBC Brasil - Nos últimos anos a diplomacia brasileira tem se esforçado para manter uma postura de independência dos Estados Unidos e ter uma atuação mais destacada em temas globais. Os Estados Unidos reconhecem essa nova estatura da diplomacia brasileira?
Sweig - Completamente. Acho que uma consequência positiva do conflito sobre o Irã foi que Washington, o governo Obama, e o Congresso, receberam uma lição objetiva sobre a política externa independente do Brasil. Mesmo se, da perspectiva brasileira, tenha falhado, eles tenham se sentido traídos, foi um desastre em diplomáticos, ainda assim deixou Washington com uma sensação muito clara de que este é um país com uma política externa independente. E isso deixa espaço para um trabalho para ir adiante, descobrindo uma maneira de trabalhar em conjunto em algumas questões, mas sem grandes expectativas em Washington de que o Brasil vai seguir a posição americana.

BBC Brasil - Há a visão de que o Brasil poderia contribuir em temas como os conflitos no Oriente Médio ou o processo de paz?
Sweig - O Brasil está se envolvendo em diplomacia e investimentos no Oriente Médio porque tem uma visão estratégica de longo prazo de que, como um ator global, há muitas razões pelas quais cumprir a agenda doméstica do país requer que tenha uma presença global, inclusive no Oriente Médio. Há um interesse financeiro e comercial, mas também há uma sensação de que, bem ou mal, o Brasil pode ter um papel de ponte, intermediador, interlocutor que tradicionalmente a política externa brasileira tem estimulado em questões internacionais.

BBC Brasil - O presidente Barack Obama disse que pretende discutir importação de petróleo em sua visita ao Brasil. As descobertas de petróleo na camada do pré-sal representam uma mudança na importância estratégica do Brasil para os Estados Unidos?
Sweig - Totalmente. Eu acho que o Brasil, uma vez que as novas descobertas de petróleo comecem a produzir, será o décimo maior produtor de petróleo do mundo. Isso cria oportunidades para os Estados Unidos diversificarem seu portfólio de importação de petróleo, para longe do Oriente Médio, potencialmente longe da Venezuela. Certamente o Brasil vai se tornar um concorrente da Venezuela. O que para os Estados Unidos seria importante. Não significa que irá substituir a Venezuela, mas acho que a dimensão energética das capacidades do Brasil é de importância estratégica para os Estados Unidos.

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