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17/03/2010 - 18h56

Famílias de vítimas de tsunamis processam governo chileno

Familiares de duas vítimas fatais dos tsunamis que ocorreram após o terremoto do dia 27 de fevereiro no Chile entraram, nesta quarta-feira, com uma ação na Justiça contra o Estado chileno pela falta de alerta de ondas gigantes.

Segundo as famílias, as vítimas poderiam ter se salvado se os organismos responsáveis tivessem alertado sobre os tsunamis que surgiriam após o tremor de 8,8 graus de magnitude.

"Naquela situação de desespero, as pessoas acreditaram nas suas autoridades e elas erraram. As autoridades disseram que não havia perigo de tsunamis, o que fez com que aqueles que tinham escapado para lugares altos voltassem para casa para serem surpreendidos pelo mar", disse o advogado dos familiares, Alfredo Morgado.

A ação judicial atendeu ao pedido de familiares das irmãs Nancy del Tránsito, de 57 anos, e Eliana del Carmen Lema Morales, de 54 anos. Elas moravam em Santiago, capital do país, e passavam férias com a família no vilarejo de Dichato, que foi arrasado pelos tsunamis.

O marido de Eliana, Hugo Fuentealba, contou que eles acordaram com o terremoto e que correram para os morros de Dichato, próximo à cidade de Concepción, a segunda maior do país e destruída pelos tremores.

"Acordei a minha família porque o chão estava tremendo e gritei que era terremoto. Nos vestimos rápido porque sabíamos que o mar poderia avançar. Já tínhamos visto que o lugar tinha placas que indicavam por onde escapar", afirmou.

Fuentealba disse que quando já estavam no morro, ele ligou o rádio de pilhas e ouviu o locutor dizer que a então presidente Michelle Bachelet descartava a possibilidade de tsunamis.

"A presidente tinha dito para que as pessoas ficassem tranquilas porque não havia tsunamis em nenhuma praia do Chile. Descemos e pouco depois vi que uma onda gigante arrasava com tudo. Sobrevivi, mas minha mulher e minha cunhada, não", disse. Segundo ele, a presidente foi "mal" informada pelos organismos competentes, o que possibilitou a tragédia.

'Erros'
De acordo com o advogado, outras famílias de vítimas preparam ações semelhantes contra o Estado.

O jornal La Tercera e a rede de televisão TVN, afirmam que este poderá ser o primeiro caso de vários a serem investigados pelo Ministério Público local para esclarecer "eventuais erros cometidos" pelo Escritório Nacional de Emergência (Onemi, na sigla em espanhol) e pelo Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha (SHOA, na sigla em espanhol). Os dois organismos são acusados de não terem acionado o alerta de tsunamis após o terremoto.

O desastre continua sendo o principal assunto no Chile. O governo do novo presidente, Sebastián Piñera, discute como conseguir os recursos necessários para a reconstrução das áreas arrasadas que, segundo estimativas do líder chileno, precisam de um investimento de cerca de US$ 30 bilhões.

Ao mesmo tempo, centenas de alunos continuam sem aulas porque as escolas foram destruídas.

Empregados também enfrentam problemas com salários e outros são ameaçados de demissão sem direito à indenização porque donos de alguns estabelecimentos argumentam que não têm como realizar os pagamentos.

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