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17/03/2010 - 07h20

Manifestantes jogam sangue contra casa de primeiro-ministro tailandês

Manifestantes de oposição derramaram sangue na frente da residência do primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, nesta quarta-feira, o quarto dia de protestos pedindo a sua renúncia.

Os ativistas da Frente Unida pela Democracia contra a Ditadura (UDD, na sigla em tailandês), também conhecidos como "camisas-vermelhas", já haviam jogado sangue diante da sede do governo tailandês e no escritório do Partido Democrata na terça-feira.

O premiê Vejjajiva e sua família não estavam na residência no momento em que o sangue foi jogado pelos manifestantes, pouco antes do meio-dia no horário local (2h00 de Brasília).

Apesar da forte chuva, alguns manifestantes conseguiram ultrapassar as barreiras policiais e, além de derramar sangue, jogaram sacolas com líquidos e objetos por cima do muro da residência.

Após o protesto, os manifestantes disseram que marchariam até a embaixada dos Estados Unidos, em resposta a rumores de que a inteligência americana teria alertado o governo tailandês que os "camisas-vermelhas" teriam planejado atos de violência contra o país.

Protestos pacíficos Os protestos começaram no domingo, quando milhares de manifestantes acamparam em frente ao quartel militar em que acreditavam que o primeiro-ministro estaria abrigado.

Os organizadores dos protestos queriam reunir 100 mil pessoas e chegaram próximo a esse objetivo, mas os participantes começam a se dispersar com o passar dos dias.

Grande parte dos manifestantes é de agricultores trazidos pela UDD à capital. Muitos já não tem mais recursos para permanecer em Bangcoc, por isso começaram a retornar ao interior.

Segundo estimativa dada pelo vice-premiê, Suthep Thaugsuban, ao jornal The Nation, apenas 15 mil manifestantes ainda estariam na capital. Avaliações independentes, porém, sugerem pelo menos o quádruplo disso está nas ruas.

O governo mobilizou 40 mil soldados para conter as manifestações e até o momento não houve confrontos entre as partes.

Um dos líderes dos camisas-vermelhas, Veera Musikapong, disse à imprensa estrangeira que os próximos passos não estão planejados e que o rumo dos protestos vem sendo decidido a cada dia.

Sem a presença de Thaksin no país, não está claro quem seria um possível interlocutor por parte dos manifestantes caso o governo acenasse com a possibilidade de negociar um acordo para por fim aos protestos.

Instabilidade A situação política na Tailândia é instável há quatro anos. Em 2006 manifestantes de camisas amarelas, contrários a Thaksin, exigiram a renúncia do primeiro-ministro sob a acusação de corrupção.

Thaksin acabou deposto em golpe de Estado no mesmo ano, mas demonstrou ainda ter força política em 2008, quando aliados dele voltaram ao poder e ocuparam o gabinete do primeiro-ministro por três meses.

Na ocasião, confrontos entre apoiadores e opositores de Thaksin resultaram na ocupação e fechamento dos dois principais aeroportos de Bangcoc por uma semana.

Hoje em dia, Thaksin vive exilado, viajando pelo exterior, mas passando grande parte do tempo em Dubai.

Ele foi condenado à revelia a dois anos de prisão por abuso de poder.

Há pouco mais de uma semana ele perdeu US$1,4 bilhão da sua fortuna pessoal de US$2,3 bilhões após a Justiça tailandesa concluir que esse dinheiro teve origem ilegal. Os seus simpatizantes afirmam que o julgamento foi político.

Antes de se tornar primeiro-ministro, Thaksin já era muito rico e possuía, entre outros negócios, a companhia de telecomunicações Shin Corp. A empresa foi vendida ao fundo soberano Tamasek, de Cingapura, em janeiro de 2006, numa operação controversa que acabou desencadeando os protestos que resultaram na queda dele.

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