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18/03/2010 - 21h04

Após sete anos, ex-presidente Aristide volta ao Haiti

Aristide foi recebido por partidários no aeroporto de Porto Príncipe
Após sete anos exilado na África do Sul, o ex-presidente do Haiti Jean-Bertrand Aristide voltou nesta sexta-feira ao país, aumentando o receio de tumultos no segundo turno das eleições presidenciais do país no próximo domingo.

O repórter da BBC Andy Gallacher disse que Aristide chegou a Porto Príncipe, a capital haitiana, em um jato particular, acompanhado do ator e ativista americano Danny Glover. Ele foi recebido com entusiasmo por seus partidários.

Segundo Gallacher, Aristide pode interferir na eleição de domingo caso decida questionar a legitimidade do processo eleitoral.

Os Estados Unidos se disseram "profundamente preocupados" com a possibilidade de que a volta do ex-presidente desestabilize o país e chegaram a pedir que Aristide atrasasse seu retorno.

No entanto, o ex-presidente, que foi forçado a fugir em 2004 em meio a uma revolta no Haiti, diz que não almeja um papel ativo na política haitiana.

Jean-Claude Duvalier, conhecido como "Baby Doc", outro ex-líder do Haiti, também voltou recentemente ao país. Ele agora está sendo processado por tortura e crimes contra a humanidade.

Segundo turno
Funcionários do governo dos Estados Unidos disseram que o presidente Barack Obama telefonou para o mandatário sul-africano, Jacob Zuma, para manifestar sua preocupação quanto à volta de Aristide.

"Os Estados Unidos, ao lado de outros na comunidade internacional, estão profundamente preocupados com a possibilidade de que a volta do presidente Aristide ao Haiti nos últimos dias da eleição possa ser desestabilizadora", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Tommy Vietor na quinta-feira.

A ex-primeira-dama Mirlande Manigat e o cantor Michel Martelly se enfrentam no segundo turno da eleição haitiana, numa disputa marcada por controvérsias.

O candidato do partido governista, Jude Célestin, deixou a disputa após observadores internacionais denunciarem uma fraude em seu favor no primeiro turno, em novembro.

O novo presidente enfrentará vários problemas. O país ainda está tentando se recuperar do devastador terremoto do ano passado, e uma subsequente epidemia de cólera agora parece pior do que se pensava, com alertas de que a infecção pode atingir 800 mil pessoas.

Aristide, um ex-padre católico, tornou-se em 1991 o primeiro presidente eleito democraticamente do país, mas foi derrubado sete meses depois.

Ele foi reeleito em 2000, mas seu segundo mandato foi marcado por uma crise econômica, e ele acabou deixando o poder.

Seu partido, o Fanmi Lavalas, foi impedido de participar da eleição atual, supostamente devido a erros técnicos na ficha de inscrição.

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