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18/03/2010 - 22h06

Iêmen declara emergência; ataque contra manifestantes deixa 39 mortos

Atiradores abriram fogo contra manifestantes em Sanaa
O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, decretou nesta sexta-feira estado de emergência no país, depois que atiradores abriram fogo contra manifestantes na capital do Iêmen, Sanaa.

Segundo fontes médicas do país, pelo menos 39 pessoas foram mortas e cerca de 200 pessoas ficaram feridas no pior dia de violência durante os protestos contra o governo no país, que começaram há cerca de um mês.

Os atiradores teriam disparado de cima de prédios contra os manifestantes que realizavam o protesto no centro de Sanaa, depois das orações da sexta-feira, enquanto forças de segurança tentavam retirar os ativistas do local.

"Isto é um massacre. A maior parte dos tiros miraram cabeças e ombros, então eram atiradores treinados que estavam tentando matar as pessoas, e não (somente) feri-las", disse à BBC o jornalista iemenita Hakim Almasmari, que testemunhou o protesto.

Saleh lamentou as mortes, mas negou que as forças de segurança iemenitas tenham sido responsáveis por elas. Ele atribuiu a ação a pessoas armadas que estavam no meio dos manifestantes.

Na quarta-feira, pelo menos 120 pessoas ficaram feridas durante manifestações contra o governo ocorridas na cidade de Hudaida, no oeste do Iêmen.

Reações
Os opositores iemenitas vêm protestando inspirados pelas revoltas em outros países árabes, que antecederam a queda de dois presidentes - em fevereiro, Hosni Mubarak, do Egito, e em janeiro, Ben Ali, da Tunísia.

Além da renúncia de Saleh, que está no poder há 32 anos, os manifestantes iemenitas pedem mais oportunidades de emprego e o fim da corrupção.

Em comunicado, o Ministério de Relações Exteriores da França condenou os ataques desta sexta-feira contra manifestantes no Iêmen.

"Lamentamos que aja tantas vítimas. É imperativo que cessem os ataques das forças de segurança e de grupos pró-governo contra as pessoas exercendo seu direito à liberdade de expressão."
Também nesta sexta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu o fim da violência no país.

"Com relação ao Iêmen, nossa mensagem permanece a mesma. A violência precisa chegar ao fim e é preciso fazer negociações para chegar a uma solução política", disse Clinton.

Proposta de reformas
Ali Abdullah Saleh propôs adotar reformas políticas no país, incluindo a separação dos poderes de governo e a adoção de um sistema parlamentarista. A oposição, no entanto, não aceitou dialogar com o atual governo.

Saleh, que está no poder desde 1978, disse anteriormente que pretende deixar a Presidência a partir de 2013.

A república iemenita foi criada depois que o Iêmen do Norte e o Iêmen do Sul se juntaram em 1990. Saleh liderava a República Árabe do Iêmen, no norte do país, desde 1978, quando assumiu o poder depois de um golpe militar.

As primeiras eleições presidenciais diretas ocorreram apenas em 1999.

Apesar de adotar formalmente um sistema multipartidário, a política do Iêmen é dominada pelo partido de Saleh, o Congresso Geral do Povo, desde a unificação.

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