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19/03/2010 - 06h48

Com revés em eleições regionais, Sarkozy enfrenta pior fase

Criticado por vários membros de seu partido após os resultados considerados catastróficos no primeiro turno das eleições regionais francesas, no domingo passado, e com sua popularidade em queda livre, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, atravessa sua pior fase desde que assumiu o poder, em maio de 2007.

Além dos problemas políticos, Sarkozy também enfrenta rumores de infidelidade em seu casamento com a cantora e ex-top model Carla Bruni.

O UMP, partido do governo, obteve 26,3% dos votos no primeiro turno das eleições regionais, no último domingo, num dos piores desempenhos da direita francesa nessa votação na história da 5ª República, que teve início com o general Charles de Gaulle, em 1958.

Das 26 regiões francesas, o UMP tem chances de vencer neste domingo, quando ocorre o segundo turno, apenas na Alsácia, onde já governa, e talvez conquistar a Guiana Francesa, segundo previsões.

Diante desses resultados, houve uma explosão de críticas de vários políticos do partido do governo, que passaram a questionar a linha de ação do presidente.

Críticas

Promessas de campanha não cumpridas e a nomeação de membros da esquerda para cargos no governo são algumas das críticas feitas ao presidente por membros de seu partido.

Medidas polêmicas e também o próprio estilo pessoal do presidente, que não corresponderia ao rigor exigido pelo cargo, também foram apontados como responsáveis pela decepção dos eleitores.

"Ao não votar, uma parte do eleitorado da maioria parlamentar expressou seu descontentamento em relação a certas decisões governamentais mal vistas", afirmou Jacques Myard, deputado UMP, ao se referir sobre a forte taxa de abstenção, de 56,3%, no primeiro turno.

Globalmente, as taxas de abstenções mais elevadas ocorreram nos departamentos franceses que mais votaram em Sarkozy nas eleições presidenciais de 2007, afirma o jornal Le Monde.

"O estilo de Sarkozy está em defasagem com a opinião. O presidente criou dúvidas em relação a sua pessoa", diz o deputado Jacques Domergue, do UMP, até então considerado um "sarkozysta" incondicional.

Pesquisas

As sondagens indicam também que nenhum dos oito ministros que disputam a presidência de regiões deverá sair vitorioso nestas eleições.

Como se não bastassem os resultados favoráveis à esquerda na votação, duas pesquisas de opinião divulgadas nesta semana confirmam que o índice de popularidade de Sarkozy nunca esteve tão baixo.

Segundo uma pesquisa do Instituto BVA, realizada para a revista L'Express e a rádio France Inter, a maioria dos franceses (43%) prefere que o primeiro-ministro, François Fillon, seja o candidato do UMP nas eleições presidenciais de 2012.

Sarkozy obteve apenas 29%, e 28% dos entrevistados não se pronunciaram.

"O número importante dos que citam Fillon ressalta a desafeição sofrida por Sarkozy junto a uma parte importante de seu eleitorado", afirma Gaël Sliman, diretor-adjunto do Instituto BVA.

Em outra pesquisa, do Instituto Ifop para a revista Paris Match, o índice de aprovação de Sarkozy despencou para 36%, uma queda de 4 pontos em relação à avaliação anterior.

Pela primeira vez desde que assumiu o poder, menos da metade dos franceses (47%) estimam que Sarkozy é "capaz de reformar o país".

Presidente X premiê

Outro problema para o chefe de Estado, segundo essa pesquisa: o índice de popularidade do primeiro-ministro nunca foi tão acima do registrado por um presidente na história da 5ª República.

A vantagem de Fillon, até recentemente "apagado" da vida política francesa pelo hiperativo Sarkozy, é de 18 pontos, número que dobrou em apenas dois meses.

Sarkozy tem evitado fazer comentários sobre os resultados do primeiro turno e marcou poucos compromissos públicos nesta semana.

"A ruptura entre Sarkozy e seu eleitorado é uma simples advertência ou um divórcio mais profundo?", questiona o Le Monde, afirmando que "isso é o que mais está em jogo no segundo turno, no domingo".

Após ter cumprido mais da metade de seu mandato, se Sarkozy continuar sendo criticado por membros de seu partido, poderá ter mais dificuldades para conseguir aprovar as reformas previstas, entre elas a da aposentadoria.

E poderá ter menor peso político nas eleições presidenciais de 2012, estimam analistas.

 

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