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20/03/2010 - 21h28

Presidente do Iêmen demite governo em meio a manifestações populares

O presidente do Iêmen Ali Abdullah Saleh demitiu todo o seu gabinete neste domingo, em meio a crescentes protestos no país contra seu governo. Neste domingo, milhares de pessoas foram às ruas na capital, Sanaa, e em outras cidades, para protestar durante os funerais de dezenas de manifestantes.

O Iêmen é mais um dos países a ser atingido pela onda de protestos pró-democracia no Oriente Médio e norte da África. Também neste domingo, pessoas tomaram as ruas na Síria e no Marrocos em protestos contra o uso de artilharia contra manifestantes.

Na última sexta-feira, oficiais das forças de segurança à paisana atiraram em ativistas pró-democracia no Iêmen, deixando pelo menos 45 mortos. Os protestos já duram um mês.

Horas antes da decisão do presidente Saleh de demitir seus oficiais de governo, o embaixador do país nos Estados Unidos, Abdullah al-Saidi, renunciou ao cargo em protesto contra a morte dos manifestantes.

Antes dele, os ministros dos Direitos Humanos e do Turismo, o chefe da agência de notícias estatal, o embaixador iemenita no Líbano e diversos líderes do partido dominante deixaram seus cargos pelo mesmo motivo.

Apesar da demissão em massa, o presidente pediu aos funcionários do gabinete que permaneçam em seus cargos até que um novo governo seja nomeado, segundo a agência de notícias oficial.

Neste domingo, manifestantes se reuniram em protesto em uma praça perto da Universidade de Sanaa. Eles participam dos funerais dos mortos na última sexta-feira e pedem a retirada do presidente Saleh, no poder há 32 anos.

Saleh decretou estado de emergência no país após o confronto com manifestantes e negou que os atiradores pertenciam às forças de segurança, mas foi acusado pela oposição de presidir um "massacre".

Desde o início das manifestações, ele prometeu reformas políticas e disse que não tentará a reeleição em 2013, mas também afirmou que defenderá seu regime "com cada gota de sangue".

Tumulto na Síria
As forças de segurança da Síria também abriram fogo contra manifestantes anti-corrupção neste domingo, na cidade de Daraa, no sul do país. Pelo menos uma pessoa foi morta e diversas ficaram feridas.
No terceiro dia consecutivo de protestos no país, ativistas atearam fogo em diversos edifícios da cidade, segundo testemunhas. Há relatos de que um dos edifícios era a sede do partido Baath, do presidente Bashar al-Assad, que domina o país há quase 50 anos.

Na última sexta-feira, quatro manifestantes sírios foram mortos pela polícia. Eles pedem a libertação de prisioneiros políticos, a demissão de oficias envolvidos na morte dos quatro ativistas e o fim das leis de emergência que estão em vigor no país há 48 anos.

Neste domingo, os protestos começaram depois que uma delegação do governo chegou a Daraa para expressar condolências às famílias dos mortos em manifestações.

Segundo ativistas, a polícia usou gás lacrimogênio e artilharia para dispersar a multidão. Outros relatos dizem que os manifestantes tomaram o centro da cidade de transformaram uma mesquita em hospital de emergência.

Eles dizem ainda que as estradas para Daraa foram bloqueadas e que helicópteros militares sobrevoam a cidade.

Testemunhas disseram à BBC que a internet, a energia elétrica e parte do sistema de comunicação está bloqueado na cidade.

O governo disse que libertará 15 crianças detidas por fazer pichações anti-governo em muros da cidade e anunciou uma redução de 3 meses na duração do serviço militar obrigatório no país.

A agência estatal de notícias tentou explicar o uso de munição pelas forças de segurança dizendo que instigadores vestidos como policiais se infiltraram e fizeram com que a polícia usasse violência contra os manifestantes.

Protestos acontecem em outras partes do país, e ativistas de direitos humanos dizem que os participantes estão sendo presos pelas autoridades locais.

Marrocos
No Marrocos, uma segunda onda de manifestações por reformas políticas levou multidões às ruas na capital, Rabat, e nas cidades de Casablanca, Tanger e Agadir.

Os manifestantes pedem o fim da corrupção e dizem que as reformas constitucionais prometidas pelo rei Mohammed 6º após os protestos em fevereiro não foram suficientes.

O correspondente da BBC no Norte da África disse que o Marrocos tem muito em comum com outros estados árabes que atualmente vivem tumultos - altas taxas de desemprego, más condições de moradia e poucas perspectivas para uma população predominantemente jovem.

No entanto, a popularidade do rei diminuiu o descontentamento da população até então.

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