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20/03/2010 - 19h02

Obama apela a democratas por aprovação de reforma na Saúde

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um último apelo neste sábado pelo apoio dos congressistas do Partido Democrata ao seu projeto de reforma do sistema de saúde.

Em um discurso aos membros de seu partido em Washington, um dia antes da votação do projeto na Câmara dos Representantes, Obama disse: "Vamos terminar isso".

Na vésepra, em um comício no Estado da Virgínia, Obama já havia descrito a votação deste domingo como um momento "histórico" em uma luta que já dura um século, para criar um sistema público de saúde para todos no país.

O projeto de reforma na Saúde é considerado a principal prioridade da política doméstica de Obama. Seu objetivo é garantir uma cobertura para o atendimento médico a cerca de 32 milhões de americanos que atualmente não têm nenhuma cobertura por não terem seguro.

O Partido Democrata tem a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, mas o projeto de Obama é ameaçado por resistências dentro de seu próprio partido.

Votos Líderes do Partido Democrata passaram os últimos dias tentando garantir os 216 votos necessários para a aprovação do projeto.

O líder da maioria democrata na Câmara, Steny Hoyer, disse acreditar que o projeto tenha conseguido o apoio necessário para sua aprovação neste domingo.

No opositor Partido Republicano, é unânime o rechaço ao projeto de Obama. Os republicanos dizem que ele é caro demais e que representaria o controle de uma grande parte da economia do país pelo governo.

Durante um programa de rádio semanal do partido, o líder republicano na Câmara dos Representantes, John Boehner, criticou o que ele disse que seriam aumentos de impostos e cortes de benefícios para pagar pelo projeto, dizendo: "Isso não é uma reforma".

'Votação difícil' Em seu discurso aos membros do Partido Democrata neste sábado, Obama disse que a votação será o passo mais importante no setor de Saúde desde a adoção, há quatro décadas, do Medicare, que garante atendimento aos idosos.

"Eu sei que será uma votação difícil", afirmou Obama.

Ele disse reconhecer as pressões políticas contra a aprovação da reforma a poucos meses das eleições para o Congresso, em novembro, mas disse ter confiança de que "fazer a coisa certa para o povo americano" significará "a melhor opção política".

"Não façam isso por mim, não façam isso pelo Partido Democrata, façam isso pelo povo americano. Eles são os que estão querendo uma atitude já", afirmou.

Nos últimos dias, Obama teve dezenas de reuniões e conversas por telefone com deputados democratas que expressavam dúvidas sobre apoiar ou não o projeto.

Alguns congressistas pediram uma linguagem mais forte no projeto para assegurar que verbas federais não sejam usadas para abortos, enquanto outros estão preocupados com o custo do estabelecimento de um sistema universal de saúde ou dizem que as reformas não são suficientemente ambiciosas.

Versões diferentes A Câmara dos Representantes e o Senado adotaram versões diferentes da lei no final de 2009.

O procedimento padrão em casos como esse seria unificar as duas versões em um projeto que, então, seria enviado ao presidente para sanção.

No entanto, no início deste ano líderes democratas decidiram adotar um outro procedimento para a votação.

A decisão foi tomada depois que o Partido Democrata perdeu a supermaioria de 60 cadeiras no Senado - margem necessária para impedir obstruções da oposição republicana, o que poderia complicar ainda mais a tramitação da reforma da Saúde.

O novo procedimento adotado é uma complexa manobra chamada reconciliação, que prevê que o projeto possa ser aprovado no Senado por maioria simples de 51 votos.

'Bobagens' Obama negou acusações dos republicanos de que o projeto é muito caro, e disse que os americanos ouviram "um monte de bobagens" sobre o conteúdo da lei.

A reforma, segundo ele, reduz o déficit americano em mais de um US$ 1 trilhão nas próximas duas décadas.

A Comissão de Orçamento do Congresso divulgou a estimativa de que a reforma da Saúde deverá reduzir o déficit americano em US$ 138 bilhões nos próximos dez anos.

Segundo a comissão, que não é vinculada a nenhum partido, a reforma terá custo de US$ 940 bilhões em dez anos.

Caso seja aprovada, a reforma representará a maior mudança no sistema de saúde americano desde a criação, nos anos 1960, do Medicare, que garante o atendimento médico às pessoas com mais de 65 anos.

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