UOL Notícias Notícias
 
21/03/2010 - 15h12

Coalizão diz ter destruído centro de comando de Khadafi em Trípoli

Prédio administrativo do governo foi destruído por um míssel em Trípoli Um ataque com míssil destruiu neste domingo um edifício dentro do complexo em Trípoli onde vive o líder líbio, Muamar Khadafi.

O ataque foi parte da ação militar promovida desde sábado por uma coalizão de países ocidentais com o objetivo de impor a resolução da ONU que estabeleceu uma zona de exclusão aérea na Líbia, para proteger os civis opositores contra bombardeios do governo.

Segundo a coalizão, o edifício de quatro andares destruído no complexo em Trípoli seria usado como centro de comando das forças leais ao coronel Khadafi. Não há relato de mortos no ataque.

Jornalistas que foram levados ao complexo de Khadafi, na região de Bab al-Aziziya, disseram que um edifício administrativo de quatro andares foi destruído.

Os Estados Unidos, que lideram a coalizão ocidental, disseram neste domingo que a ofensiva militar na Líbia fez progressos significativos, e que a coalizão deve ampliar o alcance dos ataques.

Os Estados Unidos dizem que os ataques contra a Líbia vêm atingindo locais de armazenamento de mísseis de longo alcance, instalações de radar, campos de aviação militares e forças terrestres do governo nos arredores da cidade de Benghazi, controlada pelos rebeldes.

No entanto, oficiais de defesa americanos negam que a residência de Khadafi em Trípoli seja alvo de ataques.

Papel de destaque EUA quer entregar comando da missão a outros países em breve O secretário da Defesa americano, Robert Gates, afirmou que o país não terá um papel de destaque na coalizão e que, em alguns dias, entregará o controle da missão a outros países.

Segundo Gates, os Estados Unidos esperam ceder o controle da operação na Líbia a uma coalizão entre Grã-Bretanha e França ou às forças da Otan (aliança militar ocidental).

Segundo o porta-voz do Pentágono, vice-almirante Bill Gortney, mais países enviaram aviões para a operação militar, incluindo Espanha, Bélgica, Dinamarca e Catar.

O Catar, que pretende enviar quatro aviões, é o primeiro país árabe a tomar parte ativa na campanha contra Khadafi.

Segundo o comando da coalizão ocidental, outros países árabes também devem anunciar nos próximos dias sua participação.

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que apoiou a ideia da zona de exclusão aérea, criticou a severidade dos bombardeios contra a Líbia.

"O que está acontecendo na Líbia difere do objetivo de impor uma zona de exclusão aérea. O que queremos é a proteção de civis e não o bombardeio de mais civis", afirmou Moussa.

O apoio da Liga Árabe foi fundamental para a aprovação da resolução no Conselho de Segurança da ONU.

Khadafi está no poder na Líbia há mais de 40 anos. Um levante contra ele começou no mês passado em meio à onda de revoltas em países árabes ou muçulmanos, que já provocaram as renúncias dos presidentes da Tunísia e do Egito.

Cessar-fogo O governo líbio anunciou neste domingo que as Forças Armadas do país receberam a ordem de cessar-fogo imediatamente.

O porta-voz do Escritório de Imprensa Internacional da Líbia, Musad Ibrahim, anunciou o cessar-fogo para jornalistas da imprensa internacional.

"As Forças Armadas emitiram sua ordem para todas as unidades militares da Líbia para salvaguardar um cessar-fogo imediato em toda a Líbia, começando às nove horas da noite deste domingo", disse.

Mais cedo, um porta-voz do governo chamou os cidadãos a participarem de uma marcha pela paz que sairá de Trípoli com destino a Benghazi na televisão estatal do país.

No entanto, a Casa Branca disse que não reconhece o cessar-fogo mais recente anunciado pelo governo líbio, e que continuará impondo a resolução da ONU.

O conselheiro de segurança do governo americano, Tom Donilon, que acompanhava o presidente Obama em visita ao Brasil, disse a jornalistas no Rio de Janeiro que o cessar-fogo "não é verdadeiro, ou foi violado imediatamente".

O correspondente da BBC em Trípoli Allan Little disse que as tropas pró-Khadafi tentaram entrar em Benghazi e participaram de confrontos em Misrata.

Um porta-voz dos rebeldes em Misrata disse à BBC que as forças pró-Khadafi teriam lançado novos ataques na cidade no domingo com artilharia pesada.

Segundo Tom Donilon, Obama conversou com rei Abdullah, da Jordânia, sobre a Líbia e os dois líderes concordaram sobre a necessidade de uma coalizão de forças ainda maior agindo contra o governo de Khadafi.

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, disse esperar que o Exército líbio "mantenha sua palavra" sobre um novo cessar-fogo.

Ofensiva Aviões da coalizão continuam a bombardear alvos militares líbios No domingo, segundo dia da operação, a França disse que 15 de seus aviões de guerra fizeram patrulhas no espaço aéreo do país sem encontrar resistência.

Pelo menos 20 posições de defesa aérea foram alvejadas na capital, Trípoli, e na cidade de Misrata, no oeste, por aviões e navios de guerra americanos e britânicos.

O vice-almirante Bill Gortney, porta-voz militar do Pentágono, disse na tarde deste domingo que os bombardeios de sábado foram "muito eficientes".

"Acreditamos que as forças de Khadafi estão isoladas e bastante confusas", disse.

O governo líbio diz que 64 pessoas morreram e mais de 150 ficaram feridas nos bombardeiros, mas a informação não foi verificada por uma fonte independente.

No entanto, o Pentágono afirma que ainda não há evidências de que o ataque do último sábado tenha ferido civis líbios.

O governo russo disse, também neste domingo, que houve morte de civis, e pediu que os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França interrompam o "uso indiscriminado de força".

Em pronunciamento semanal na Venezuela, o presidente Hugo Chávez disse que o bombardeio da Líbia é uma "loucura imperial" em busca do petróleo e sugeriu que outros países tentem negociar um cessar-fogo. O presidente equatoriano Rafael Correa também condenou o ataque.

'Mal-entendido' Em entrevista à rede de TV americana ABC neste domingo, o filho do coronel Khadafi, Saif al Islam, disse que o Ocidente não compreendeu o que está acontecendo na Líbia.

Ele disse que os rebeldes em Benghazi eram mafiosos e terroristas e que os habitantes da cidade estão tentando liberá-la do seu controle.

"Há um grande mal-entendido. Todo o país está unido contra a milícia armada e os terroristas", disse.

A ação militar na Líbia começou no fim da tarde do sábado, quando caças franceses Rafale atacaram tanques e veículos militares blindados das forças do governo.

O objetivo da ofensiva é impor a resolução 1.973, aprovada na última quinta-feira pelo Conselho de Segurança da ONU, que estabelece uma zona de exclusão aérea na Líbia para proteger os civis de bombardeios por parte do governo.

A medida autoriza os Estados membros a tomar "todas as medidas necessárias" para efeito de proteção, excluindo a possibilidade de envio de forças de ocupação estrangeiras.

Segundo oficiais da ONU, mais de 3.800 refugiados cruzaram a fronteira da Líbia com o Egito no último sábado, um aumento de 70% nos números vistos recentemente.

Um porta-voz do movimento rebelde da Líbia disse ao canal de TV árabe Al-Jazeera que mais de 8 mil ativistas anti-Khadafi foram mortos desde o início dos protestos no país.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,02
    3,136
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,02
    75.974,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host