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23/03/2010 - 20h07

França adia planos para taxar emissões de carbono

O primeiro-ministro da França, François Villon, afirmou, nesta terça-feira, que o governo francês vai adiar os planos de taxar as emissões domésticas de carbono.

Em um comunicado, o premiê afirmou que a França pretende adotar o imposto, mas que a medida deve ser tomada "em conjunto com outros países europeus" para que não prejudique a produtividade e a economia francesa.

"As decisões que tomamos sobre o desenvolvimento sustentável devem ser melhor coordenadas com todos os países europeus para que não aumente nossa desvantagem competitiva com a nossa vizinha Alemanha", disse ele em discurso no Parlamento.

O líder do partido governista UMP, Jean-François Cope, disse que " o imposto deve ser aplicado em toda a Europa ou não (ser adotado)".

A cobrança dos impostos para emissões domésticas de carbono era um dos principais pontos da política ambiental do presidente Nicolas Sarkozy. Mas o governo francês já vinha repensando os planos desde que um Tribunal rejeitou a roposta, no ano passado, alegando que tantos setores são isentos de pagar o imposto que o ônus da taxa ficaria para o consumidor comum.

Mas o governo de Sarkozy disse ainda estar planejando uma versão revisada da proposta, que deve ser apresentada até o final do ano.

Mudanças climáticas
Se o proposta tivesse sido aprovada, a França tornaria-se o maior país a impor uma taxa sobre as emissões de carbono como parte dos esforços para combater as mudanças climáticas.

Agências de defesa do meio-ambiente criticaram a decisão , enquanto o chefe da Federação da Indústria francesa elogiou a medida.

No início do mês, a Comissão Europeia havia dito que estava planejando a imposição de uma taxa sobre emissões de carbono como parte de seus esforços para a preservação do meio-ambiente, embora a Grã-Bretanha se oponha à ideia.

Momento delicado
As declarações do premiê francês coincidiram com uma greve que afetou os transportes, escolas e correios na França.

O protesto, que havia sido marcado em fevereiro, ocorre em um momento delicado para o presidente Sarkozy, que saiu bastante enfraquecido da ampla derrota de seu partido, o UMP, nas eleições regionais do último domingo.

O partido do governo não conseguiu vencer nem mesmo no "quartel-general" do presidente, o departamento de Hauts-de-Seine, subúrbio elegante de Paris onde ele iniciou e desenvolveu sua carreira política e que havia votado maciçamente em Sarkozy nas eleições presidenciais de 2007.

Das 26 regiões francesas, o UMP conseguiu manter apenas a Alsácia e conquistou os departamentos ultramarinos da Guiana e da Reunião. A esquerda francesa obteve nessa votação seu melhor resultado em quase 30 anos.

Em razão da forte derrota eleitoral, a margem de manobra de Sarkozy para realizar as reformas consideradas polêmicas, como a da aposentadoria, ficou reduzida, segundo especialistas.

Sarkozy, em queda livre nas últimas pesquisas de opinião, passou a ser criticado entre seu eleitorado tradicional da direita e membros de seu próprio partido.

Promessas de campanha não cumpridas, como o aumento do poder aquisitivo da população, além de ações políticas, como a entrada em seu governo de personalidades da esquerda, contribuíram para o descontentamento dos eleitores, agravado pelo aumento do desemprego.

O resultado das urnas parece estar sendo levado em conta na linha de ação do governo.

Estilo pessoal
Outro fator de peso que explica a decepção do eleitorado do UMP é o próprio estilo pessoal de Sarkozy, que não corresponderia ao rigor exigido pela função presidencial.

Segundo uma pesquisa do Instituto CSA para o jornal Le Parisien, divulgada na segunda-feira, 54% dos franceses afirmam que Sarkozy deve "adotar um estilo mais presidencial".

Episódios como a nomeação de seu filho, de 23 anos, para comandar um importante órgão, que acabou sendo derrubada diante das críticas, também criaram dúvidas sobre a maneira como Sarkozy exerce a função presidencial.

Diante do descontentamento de políticos de seu partido, que o criticaram fortemente na última semana, Sarkozy realizou na segunda-feira uma minirreforma do gabinete, com a saída de dois ministros, entre eles o do Trabalho, substituído pelo ministro do Orçamento.

Entraram para o governo aliados dos centristas, do ex-presidente Jacques Chirac e também do ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin, concorrente potencial para representar o UMP nas eleições presidenciais de 2012.

Segundo analistas, essa iniciativa de Sarkozy visa reunir as diferentes correntes da maioria presidencial para evitar adversários em seu próprio campo à aprovação das reformas.

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