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24/03/2010 - 11h52

Papa aceita renúncia de bispo irlandês depois de escândalo de pedofilia

O Papa Bento 16 aceitou nesta quinta-feira a renúncia do bispo irlandês John Magee, que foi seriamente criticado pelo modo como lidou com o escândalo de pedofilia que recentemente atingiu a Igreja Católica na República da Irlanda.

O ex-bispo de Cloyne trabalhou como secretário particular de três papas, mas há cerca de um ano uma investigação independente revelou que ele não respondeu de maneira apropriada às alegações de abusos sexuais cometidos por padres irlandeses.

"Eu assumo total responsabilidade pelas críticas de nossa administração neste relatório", disse Magee nesta quarta-feira.

Segundo a investigação, o modo como a diocese lidou com as alegações pôs crianças em risco. Magee já havia se licenciado do cargo em março de 2009, enquanto se realizava uma investigação mais detalhada.

Este inquérito foi separado do relatório Murphy, que no ano passado revelou que, por décadas, a arquidiocese de Dublin não lidou apropriadamente com os casos de abuso; e do relatório Ryan, que detalhou abusos físicos e sexuais em orfanatos e escolas técnicas para crianças carentes administradas pela Igreja Católica na República da Irlanda.

No fim de semana, o papa Bento 16 enviou uma carta para ser lida nas missas de domingo, pedindo desculpas pelos abusos cometidos por membros da Igreja Católica na República da Irlanda.

Na carta, Bento 16 reconheceu que erros graves foram cometidos na maneira com que os bispos lidaram com as alegações de pedofilia.

Bispo O relatório do Painel Nacional pela Segurança de Crianças na Igreja Católica - criado pela Igreja, mas administrado de forma independente - examinou como a dioceses de Cloyne respondeu a uma série de queixas de abuso sexual contra dois padres.

Uma mulher denunciou o "Padre B" em 1996, afirmando que manteve um relacionamento sexual com ele por um ano e o viu beijando seu filho, de 14 anos de idade.

Três outras queixas de abuso foram apresentadas contra o mesmo padre entre os anos de 1995 e 1997 e, em 2005, uma mulher afirmou que manteve relações sexuais com o padre desde os 13 anos de idade.

A conclusão do relatório foi uma crítica devastadora das práticas de proteção às crianças na diocese.

O relatório afirma que as práticas eram inadequadas e, de certo modo, perigosas, já que, aparentemente eram centralizadas nas necessidades dos acusados, e não das vítimas.

A diocese falhou em não limitar, efetivamente, o acesso de indivíduos acusados de abuso sexual a crianças.

O líder da Igreja Católica na Irlanda, o cardeal Sean Brady, disse que queria reconhecer "o ministério longo e variado" do bispo Magee.

"Eu garanto que vou rezar por ele e o desejo boa saúde em sua aposentadoria", disse o cardeal.

"Mas, mais importantes em meus pensamentos nesses dias são aqueles que sofreram abusos por padres e aqueles que sentem raiva e decepção com a resposta inadequada da Igreja." Carta Na carta enviada aos fieis, na sexta-feira passada, Bento 16 reconheceu que as vítimas e suas famílias se sentem traídas pela Igreja.

"Vocês sofreram dolorosamente e eu verdadeiramente sinto muito", disse Bento 16.

O papa disse que houve "erros sérios" entre bispos na forma como lidaram com as alegações de pedofilia.

Escândalos envolvendo padres católicos também foram relatados em outros países, incluindo a Alemanha, país natal de Bento 16.

O papa disse que aqueles culpados de abusos devem "responder perante a Deus e aos tribunais propriamente constituídos pelas ações pecadoras e criminais que cometeram".

Bento 16 disse que espera que o documento "ajude no processo de arrependimento, cura e renovação".

Mas apesar da carta sem precedentes, algumas vítimas acreditam que o papa deveria ter ido mais longe, esperando uma admissão de que o abuso foi acobertado.

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