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24/03/2010 - 18h43

Participação do setor privado em acordo com Irã foi 'metáfora', diz Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores disse nesta quarta-feira que o chanceler Celso Amorim foi "mal interpretado" ao falar em "transação privada" no processo de negociação nuclear com o Irã e que não houve uma sugestão nesse sentido.

De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, o ministro usou o termo "privado" como uma "metáfora".

A declaração de Amorim foi feita nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, logo após um encontro com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano.

Questionado sobre o impasse nas discussões de um acordo com Teerã, o ministro disse que "a questão principal que existe é de como operar essa simultaneidade. Como permitir que ao mesmo tempo fique claro que o Irã está colocando de lado, desde já, uma parte do seu estoque de urânio e ao mesmo tempo ele possa receber de volta, de alguma forma, os elementos combustíveis".

"O Irã não tem confiança em alguns países, e alguns países não têm confiança no Irã. Qual é a única maneira? Isso você faz até numa transação privada. Você tem um fiel depositário, que pode ser um terceiro país", disse Amorim.

Segundo o Itamaraty, a intenção do chanceler não foi de sugerir a participação de um fiel depositário privado - agente privado utilizado para garantir maior confiança a determinadas transações de mercado - mas sim de usá-lo como uma "imagem" do que pode vir a ser uma solução no caso iraniano.

"O ministro não sugeriu a participação do setor privado. O termo foi utilizado como uma metáfora", disse a assessoria de imprensa do Ministério.

Nova gestão O diretor-geral da agência disse que a proposta apresentada ao Irã em outubro do ano passado "ainda está sobre a mesa".

Em fevereiro, a AIEA divulgou um relatório, o primeiro assinado por Amano desde que assumiu o posto, em dezembro, sugerindo de forma mais enfática que o Irã poderia estar desenvolvendo armas nucleares.

Muitos analistas viram o relatório como um "apoio" à proposta dos Estados Unidos de aplicar uma nova rodada de sanções comerciais ao Irã.

Amano rebateu essa interpretação, afirmando que "não disse que o Irã tinha ou tem um programa de armas nucleares".

"Eu estava analisando informações concretas e sobre as quais tivemos consenso", acrescentou o chefe da AIEA, referindo-se aos membros do conselho diretor da agência.

Ainda de acordo com Amano, o objetivo da agência é "conversar com o Irã para esclarecer a questão".

"Esse é o ponto. Mas infelizmente não conseguimos fazer isso desde 2008", disse.

Amano disse ainda que existe um convite "em aberto" para que ele visite o Irã, mas que fará essa viagem "no momento apropriado".

"Não posso ir até lá apenas para dizer oi. É preciso alguma coisa para ser discutida", disse.

Protocolo adicional Amano aproveitou ainda a visita de dois dias ao Rio de Janeiro e o encontro com Amorim para defender o protocolo adicional ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que permite inspeções ainda mais detalhadas de programas nucleares dos países signatários.

"Expressei minha visão de que o protocolo adicional permitirá fortalecer a capacidade de verificação da agência. Quanto mais países aderirem, melhor", disse o diretor-geral da agência. Segundo ele, 95 países já fazem parte desse grupo.

O governo brasileiro não aderiu ao protocolo adicional, com o argumento de que o país já se submete a mecanismos de inspeção "diversos", entre eles um regional, no âmbito da Agência Brasil Argentina de Contabilidade e Controle (Abacc).

O assunto deverá ser discutido em maio, durante a conferência de revisão do Tratado, em Nova York.

"Meu objetivo é entender melhor a posição desses países (que não aderiram ao protocolo adicional) e gostaria também que eles entendessem a minha", disse Amano.

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