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25/03/2010 - 13h49

Governo japonês sugere retirada de moradores a 30 km de usina

Mulher e seu neto se refugiam em abrigo perto de Fukushima
O governo japonês sugeriu nesta sexta-feira que os moradores num raio de 20km a 30km da usina nuclear de Fukushima Daiichi, no leste do país, deixem suas casas de forma voluntária.

Segundo Yukio Edano, porta-voz do governo, a medida é para facilitar o acesso destas pessoas a produtos de primeira necessidade, e não tem relação com a questão da segurança ou contaminação radioativa.

"A distribuição de produtos está afetada e isso dificulta a sobrevivência por um longo período de tempo", disse Edano a jornalistas.

Segundo a agência de notícias Kyodo, as empresas de distribuição alegaram que motoristas têm medo de se expor à radiação e por isso resistem a ser enviados ao local.

O governo japonês garantiu total assistência e colocou à disposição transporte e abrigo.

No entanto, Edano afirmou que não há intenção de expandir a área de evacuação, que até o momento é de 20km de distância da usina nuclear.

Problemas na usina
A Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que controla a usina, informou nesta sexta-feira que perigosos níveis de radioatividade foram detectados na água acumulada perto do reator número 3.

Era neste local que trabalhavam os dois técnicos que foram internados quinta com queimaduras nas pernas causadas por raios beta. Eles continuam no hospital.

O material radioativo encontrado, segundo as autoridades, é 10 mil vezes maior que o nível normal. Isto pode significar que houve danos na cúpula, canos, válvulas ou mesmo no núcleo do reator.

Segundo a agência de segurança nuclear do Japão, um exame rigoroso está sendo realizado para encontrar a causa do possível vazamento.

O porta-voz da Tepco, Hidehiko Nishiyama, disse que não há dados, como nível de pressão, que indique um possível dano no núcleo do reator. "Ainda é incerto como o vazamento aconteceu", disse à imprensa.

Na China, dois turistas japoneses que saíram de Tóquio foram internados com alto nível de radiação. Ainda não se sabe como eles foram contaminados, já que disseram que não chegaram perto da província de Fukushima.

Segundo o governo chinês, os dois estão num hospital especializado e foram feitos testes nas malas e roupas que detectaram níveis "seriamente acima do normal".

Duas semanas
Passadas duas semanas após o terremoto e o tsunami que atingiu o Japão, o trabalho de recolhimento de corpos continua. Os mortos já chegam a 10 mil mortos, emquanto 17.440 pessoas estão desaparecidas.

Pelo menos 250 mil pessoas vivem em abrigos do governo. O temor agora é de um possível aumento de casos de doenças, já que na região mais atingida o frio continua intenso.

O governo estima que 18 mil casas foram completamente destruídas pelo tsunami e que outras 130 mil sofreram danos. A reconstrução deve custar aos cofres públicos cerca de US$ 309 bilhões (R$ 509 bilhões).

Água com radiação
Outro problema é o nível de radiação na água encanada da região metropolitana de Tóquio. Na capital, as autoridades dizem que já não há mais perigo, mas em outras áreas continua alto o nível de contaminação.

Por causa disto, os japoneses correram novamente aos supermercados e lojas de conveniência e agora está difícil achar água mineral nas prateleiras.

Para não causar mais pânico, o governo está distribuindo garrafas de água mineral para famílias que têm crianças pequenas e também para creches e jardins de infância.

A contaminação de alimentos também preocupa os japoneses. Os moradores de Fukushima foram orientados a não consumir 11 tipos de vegetais e leite.

Isto também afetou as exportações japonesas. Vários países, como Cingapura, China, Hong Kong, Rússia, Canadá, Filipinas, Austrália e Estados Unidos já vetaram a importação de produtos japoneses.

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