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31/03/2010 - 23h12

Doadores prometem quase US$ 10 bi para reconstrução do Haiti

Os mais de cem países que participaram da conferência de doadores para o Haiti, convocada pela ONU e co-presidida pelo Brasil, nesta quarta-feira, em Nova York, prometeram uma ajuda de US$ 9,9 bilhões (cerca de R$ 17,6 bi) nos próximos três anos para a reconstrução do país, devastado por um terremoto em 12 de janeiro.

O valor ultrapassa em US$ 6,1 bilhões (R$10,8 bi) o apelo feito pelo país caribenho num plano de ação apresentado durante a Conferência de Doadores por um Novo Futuro para o Haiti, realizada na sede da Organização das Nações Unidas.
O total superou ainda as expectativas da própria ONU. O secretário-geral da Organização, Ban Ki-Moon, celebrou o resultado da reunião dizendo que a comunidade internacional foi "muito além da expectativa" e se uniu "dramaticamente em solidariedade ao povo haitiano".

O Brasil, que presidiu a conferência ao lado do Canadá, Espanha, França e União Europeia, contribuiu com US$ 172 milhões (R$ 306 mi), além dos US$ 167 mi (cerca de R$ 297 mi) já enviados em ajuda emergencial.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também demonstrou satisfação com o alcance das metas de arrecadação, mas afirmou querer se certificar de que "o dinheiro realmente entre no Haiti".

Segundo Amorim, a contribuição brasileira será entregue imediatamente ou "assim que passar pelo processo burocrático" no Brasil. O ministro afirmou ainda que parte dessa doação será entregue em espécie como a construção de Unidades de Pronto Atendimento na área da saúde, a construção de uma represa e treinamento de pessoal.

Além disso, US$ 15 milhões serão dedicados ao apoio direto ao orçamento do governo haitiano, num fundo cuja gestão será fiscalizada pelo Banco Mundial, e US$14 milhões serão aplicados em cooperação técnica.

Amorim destacaou ainda que a presença do Brasil no Haiti vai além dos recursos financeiros. Ele afirmou que o governo brasileiro acaba de enviar 900 soldados militares ao país caribenho e vai continuar investindo em projetos de saneamento, saúde e merenda escolar.
Compromisso
Amorim ressaltou que o Brasil foi o único país em desenvolvimento a sentar-se à mesa dos presidentes da Conferência de doadores, mas explicou que prefere dizer que o Brasil é "um parceiro" do Haiti.

"O Brasil nunca apreciou essa situação de doadores e receptores porque as coisas são mais complexas do que isso. Todo mundo dá e todo mundo recebe de alguma maneira. Então a ideia de que há os bonzinhos e generosos que estão dando e outros pobrezinhos miseráveis que estão recebendo é uma ideia de que não compartilhamos", disse o chanceler.
Amorim voltou a dizer que "nosso engajamento com o Haiti é de longo prazo".

"Ele é também um aprendizado. É muito simples você vir de fora e fazer uma receita para o país: 'vamos construir assentamentos fora da área da falha', mas as pessoas voltam ao lugar porque é lá que elas têm a casinha delas, ou o emprego delas, então aos poucos tem que ir tratando dessas coisas sem muitas idéias pré-concebidas e levando muito em conta a realidade local. É por isso que estamos interessados em continuar ajudando na implantação de projetos."
Segundo o ministro, um dos projetos de maior sucesso no Haiti - que começou dentro do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) o e agora está também com o PNUD (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas) - é o de coleta de lixo.

"O projeto tem três vantagens. Primeiro você está dando dinheiro para as pessoas trabalharem e isso faz a economia rodar. Segundo você está removendo o lixo, o que lá é um problema muito sério. E terceiro, você produz uma espécie de barrete que é combustível e pode ser usado (mais tarde)", afirmou.
Segundo o ministro, projetos como esse vão continuar.

"Nossa presença no Haiti vai além dos recursos financeiros que estamos enviando, sem falar que temos 2600 homens e mulheres no Haiti."
Modelo
Além da arrecadação de fundos para a reconstrução do Haiti, a conferência desta quarta-feira ainda serviu para marcar a renovação do modelo de assistência ao país.

Amorim falou, por exemplo, do caso da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), liderada pelo Brasil.

Segundo o ministro, a missão é um modelo de operação de paz e não um modelo de assistência emergencial.

"A Minustah embutia um elemento grande de assistência humanitária e de desenvolvimento - e estava funcionando até no terreno político garantindo maior estabilidade e progresso econômico. Agora o terremoto dramatizou isso tudo. A necessidade de ajudar a construir um Estado que funcione é muito maior", afirmou.

De acordo com ele, "não basta dar comida a quem tem fome e dar bebida a quem tem sede. Você tem que ajudar as pessoas a produzirem a sua comida, a descobrirem onde tem água para beber e a se integrar no comércio internacional. Isso é novo nas ações da ONU."
Amorim disse ainda que há uma grande vantagem no caso do Haiti porque não há um debate ideológico.

"Houve uma grande contribuição da Venezuela, dos EUA, de Cuba - na parte médica - do Brasil, Europa, Catar - um país tão longe sensibilizado por esse senso de solidariedade despertado pelo Haiti. Esse é um grande exemplo do que a ONU pode fazer", disse.

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