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05/04/2010 - 12h12

Após três anos, Israel permite entrada de roupas na Faixa de Gaza

Depois de três anos parados no porto israelense de Ashdod, contêineres com roupas e sapatos finalmente foram enviados neste domingo a comerciantes palestinos da Faixa de Gaza que os haviam encomendado.

Autoridades israelenses permitiram pela primeira vez em três anos a passagem de cinco caminhões com roupas e outros cinco transportando mercadorias pelos postos de controle de Kerem Shalom, na entrada da Faixa de Gaza.

No entanto, fontes palestinas afirmam que parte do carregamento não poderá mais ser vendida, já que teria mofado, depois de anos de espera no porto.

Israel decretou o bloqueio à Faixa de Gaza quando o grupo militante Hamas tomou à força o controle do enclave palestino, em junho de 2007, expulsando o Fatah da região.

Desde então, autoridades israelenses têm permitido a entrada na Faixa de Gaza apenas de produtos básicos transportados em caminhões da ONU.

Ao longo de três anos, transportes particulares foram totalmente proibidos e Israel estabeleceu uma lista definindo os "produtos básicos" que podem ser transportados para a região.

'Artigos de luxo' A lista exclui centenas de itens, como roupas, sapatos, instrumentos musicais, cigarros, livros e aparelhos elétricos.

Vários produtos alimentícios também são considerados artigos de "luxo" e não têm a autorização de entrada, como queijos e iogurtes.

A proibição mais rígida é a de entrada de materiais de construção, principalmente cimento, ferro e aço, que torna impossível a reconstrução da região, parcialmente destruída durante a chamada Operação Chumbo Fundido - a ofensiva israelense realizada entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

De acordo com porta-vozes israelenses, a Faixa de Gaza passou a ser governada por uma "entidade hostil" e, portanto, Israel "tem o direito de impor sanções à região, para pressionar o governo do Hamas a parar de lançar foguetes contra o sul do país".

Segundo o Exército israelense, os materiais de construção poderiam ser utilizados pelo Hamas para a fabricação de armamentos.

Para grupos de direitos humanos, o bloqueio significa "punição coletiva" aos cerca de 1,5 milhão de palestinos que moram na Faixa de Gaza.

Túneis para o Egito Nos últimos meses, as pressões pelo fim do bloqueio à Faixa de Gaza aumentaram, tanto nos Estados Unidos, como na Organização das Nações Unidas (ONU) e na União Europeia.

Durante os três anos de bloqueio, a única via de fornecimento de mercadorias não autorizadas por Israel à população da Faixa de Gaza tem sido as centenas de túneis escavados pelos palestinos entre a parte palestina da cidade de Rafah (no sul da Faixa de Gaza) e a parte egípcia da cidade.

Além de roupas e cigarros, os túneis também servem para levar aparelhos elétricos, como máquinas de lavar e geladeiras e até veículos para os habitantes de Gaza.

Os túneis também seriam utilizados pelo Hamas e por outros grupos armados que operam na região para o contrabando de armamentos e são constantemente bombardeados pela Força Aérea israelense.

O Egito, que vê os túneis como uma violação de sua soberania, decidiu, em 2009, construir uma barreira subterrânea de aço para impedir a continuação das escavações e barrar o contrabando de mercadorias e armas para a Faixa de Gaza.

Os trabalhos para a construção barreira egípcia começaram no final de 2009.

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