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06/04/2010 - 09h00

Gordon Brown convoca eleições para 6 de maio

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou nesta terça-feira (06) a realização de eleições gerais no país no dia 6 de maio.

Seguindo a tradição, Brown foi ao Palácio de Buckingham pela manhã, onde, em uma audiência de 20 minutos, pediu à rainha Elizabeth 2ª permissão para dissolver o Parlamento no dia 12 de abril, data do início oficial da campanha eleitoral.

Ao retornar à sua residência oficial em Downing Street, o chefe de governo e líder do Partido Trabalhista fez o anúncio, ladeado por todo o seu Gabinete, e acrescentou: "A Grã-Bretanha está no caminho da recuperação (econômica) e nada que façamos deverá colocar isso em risco."

O premiê - que enfrentará sua primeira eleição como líder do Partido Trabalhista - disse que pedirá aos eleitores um mandato "claro e direto" para continuar a tarefa de recuperação da economia.

Pouco antes, o líder do Partido Conservador e principal adversário de Brown nas urnas, David Cameron, disse em discurso a correligionários que sua candidatura representa "uma alternativa conservadora moderna" aos eleitores, e que seu partido oferece "esperança, otimismo e mudança" e "um novo começo".

Ele qualificou a eleição como "a mais importante eleição geral em uma geração".

Analistas dizem que os principais temas na campanha serão a economia e o grande déficit no orçamento.

O analista político da BBC Rob Watson afirmou que o principal partido de oposição britânico, o Conservador, terá a seu favor o desgaste do Partido Trabalhista - que está no poder há quase 13 anos.

A vitória trabalhista nas urnas em 1997 marcou uma reviravolta na política britânica. Tony Blair sucedeu John Major, um ex-integrante do governo de Margaret Thatcher, no que foi a primeira de quatro vitórias eleitorais trabalhistas. Gordon Brown assumiu o cargo em 2007 sem eleições gerais.

Resultados

Pesquisas de opinião sugerem que a disputa pelas 650 cadeiras no próximo Parlamento britânico deve ser bastante acirrada, e há uma expectativa de que o fiel da balança seja o Partido Liberal Democrata, liderado por Nick Clegg.

Clegg disse que seu partido é o único a oferecer "uma mudança real" para o eleitorado.

Os conservadores, que há meses eram considerados favoritos para obter a maioria, vêm perdendo popularidade, acusados pelos eleitores de prometer mudança sem apresentar planos concretos. Nos meios políticos e na imprensa especula-se se o Partido Liberal Democrata faria uma aliança com trabalhistas ou conservadores.

Uma pesquisa do instituto ICM para o jornal britânico The Guardian indica que o Partido Conservador perdeu uma vantagem de 4 pontos percentuais na preferência do eleitorado. A enquete indicou que 37% votariam nos conservadores, 33% nos trabalhistas e 21% no Partido Liberal-Democrata.

Mas uma enquete do YouGov para o jornal The Sun sugere que os conservadores têm uma liderança de 10 pontos percentuais prevendo 41% para os conservadores, 31% para os trabalhistas e 18% para o Partido Liberal Democrata.

A campanha eleitoral britânica costuma durar pouco tempo e, pela primeira vez, os líderes dos partidos (que, na prática, são os potenciais primeiros-ministros) devem participar de debates pela TV. Estão previstos três, a serem exibidos pelas emissoras BBC, Sky e ITV.

Escândalo

Analistas afirmam que o tema da economia será central na eleição. Segundo especialistas, para os mercados financeiros o pior resultado eleitoral seria o de um Parlamento sem clara maioria de um partido, tornando muito difícil a aprovação de mudanças mais profundas para conter o déficit público, que atualmente está em cerca de 12% do PIB.

Para conseguir uma maioria absoluta, um partido precisa conquistar pelo menos 326 cadeiras.

Mas seja qual for o resultado das urnas, a composição da Câmara dos Comuns (a câmara baixa do Parlamento Britânico) deve mudar bastante, já que 144 parlamentares anunciaram que não vão concorrer à reeleição. Alguns deles desistiram de concorrer depois de terem sido expostos pela mídia britânica ano passado, no escândalo do reembolso de despesas que sacudiu o Parlamento e a política do país.

O escândalo veio à tona quando quantias reembolsadas por diversas despesas de parlamentares foram publicadas pelo jornal Daily Telegraph, em maio do ano passado. Centenas de deputados dos principais partidos se viram envolvidos.

Entre os pedidos de ressarcimento estavam gastos com móveis caros e aparelhos de televisão, além de valores acima do necessário para amortização de hipotecas e pagamento de aluguéis das chamadas "segundas casas" de deputados - um segundo domicílio a que deputados tem direito para permitir que eles possam ter uma residência em seus distritos eleitorais e outra perto do Parlamento em Londres. O caso causou indignação na opinião pública.

Os líderes dos principais partidos prometeram punir os culpados de abuso do sistema.

 

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