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08/04/2010 - 11h59

Manifestantes ameaçam intensificar protestos na Tailândia

Os manifestantes de oposição na Tailândia, também conhecidos como "camisas vermelhas", ameaçaram nesta quinta-feira intensificar as ações de protesto se o governo não atender imediatamente ao pedido de dissolução do Parlamento e convocação de eleições diretas. O grupo, que há quase um mês tem protestado nas ruas da capital, Bangcoc, fez a ameaça em meio à decisão do primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, de cancelar uma viagem ao Vietnã por causa da onda de instabilidade que assola o país. Os líderes dos manifestantes não afirmaram claramente se apelarão para a violência como o próximo passo, mas disseram que vão deixar de negociar e "declarar guerra" se não forem ouvidos. Tensão É nítido o aumento de tensão entre os dois lados nas ruas da cidade. Na manhã desta quinta-feira, uma granada foi lançada no quartel general do Exército. Outras explosões menores e sem vítimas já haviam ocorrido durante a madrugada em diversos pontos de Bangcoc. Os "camisas vermelhas" têm obstruído as principais vias da capital. O comércio em diversas áreas está fechado por causa da presença dos manifestantes, que chegaram a invadir a sede do governo brevemente e confrontar soldados na quarta-feira. Os parlamentares tiveram que ser resgatados às pressas do prédio, e o primeiro-ministro decretou estado de emergência na capital. Apesar da ordem de dispersar, os oposicionistas convocaram mais um grande comício para a sexta-feira, desafiando o governo. Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro Vejjajiva retirou do ar o canal de TV por satélite PTV, que estava alinhado com os oposicionistas. Abalo O impasse político já começa a abalar a economia tailandesa. Nesta quinta-feira, a bolsa de valores local fechou com perdas de 3,53%, e um dos diretores do Banco Central, Suchart Sakkankosone, admitiu ao jornal The Nation que "a situação de emergência pode de certa forma reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto em 2010". A estimativa de crescimento de 6,2% feita pelo Banco Mundial para a Tailândia está sendo considerada otimista frente à expectativa de 4,2% anunciada pelo ministro das Finanças, Korn Chatikavanij, na terça-feira. Na quarta-feira, um grupo de mais de 300 acadêmicos assinou uma carta aberta pedindo que o governo não dissolva o Parlamento e lide com rigor com os manifestantes. Os simpatizantes do governo são na maioria tailandeses que vivem nas cidades, enquanto que os oposicionistas "camisas vermelhas" são majoritariamente pessoas do interior. Os "camisas vermelhas" são simpatizantes do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi deposto em 2006 depois de um golpe de Estado. Instabilidade A situação política na Tailândia é incerta desde aquele ano, quando manifestantes de "camisas amarelas", contrários a Thaksin, exigiram a renúncia do primeiro-ministro, acusado de ser corrupto. Apesar de deposto em 2006, Thaksin recobrou força política em 2008, quando aliados dele voltaram ao poder e ocuparam o gabinete do primeiro-ministro por três meses. Na ocasião, confrontos entre apoiadores e opositores de Thaksin resultaram na ocupação e fechamento dos dois principais aeroportos de Bangcoc por uma semana. Atualmente, Thaksin vive exilado, viajando pelo exterior, mas passa a maior parte do tempo em Dubai. Ele foi condenado à revelia a dois anos de prisão por abuso de poder e corrupção, o que lhe custou US$ 1,4 bilhão da sua fortuna pessoal de US$ 2,3 bilhões. Os simpatizantes de Thaksin afirmam que o julgamento foi político. Antes de se tornar primeiro-ministro, Thaksin já era muito rico e possuía, entre outros negócios, a companhia de telecomunicações Shin Corp., que foi vendida ao fundo soberano Tamasek, de Cingapura, em janeiro de 2006, numa operação controversa que acabou desencadeando os protestos que resultaram na queda e condenação dele.

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