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08/04/2010 - 19h00

Presidente do Quirguistão diz que não deixará o cargo

O presidente do Quirguistão, Kurmanbek Bakiyev, forçado a deixar a capital do país em meio a protestos violentos, afirmou nesta quinta-feira à BBC que não renunciará ao cargo. Bakiyev que deixou a capital, Bishkek, na quarta-feira, não informou seu paradeiro exato, mas afirmou apenas que está no sul do país. Ele disse que é o presidente legítimo e condenou a revolta, dizendi que "pessoas armadas estão andando nas ruas da capital - roubando, saqueando e matando". O presidente se referiu aos protestos da véspera, que deixaram mais de 70 mortos e dezenas de feridos, além de um rastro de destruição em Bishkek. "O 'novo governo interino' é completamente incapaz de impor a ordem e estão simplesmente culpando o presidente por tudo", disse Bakiyev. O presidente afirmou, no entanto, que se o governo autoproclamado estiver pronto para começar a negociar, ele estaria preparado para ouvir. Revolta As declarações foram feitas após a líder da oposição e e ex-ministra das Relações Exteriores, Roza Otunbayeva, que encabeça o governo interino, ter ordenado a renúncia do presidente. "O negócio dele aqui terminou", disse. Otunbayeva ainda defendeu os protestos da quarta-feira e a tomada de poder. "O que fizemos ontem foi a resposta do povo à repressão e à tirania do regime Bakiyev. Você pode chamar de revolução, de revolta popular. De qualquer forma, é nosso modo de dizer que queremos justiça e democracia", afirmou ela em entrevista coletiva. Mais cedo, líderes da oposição no Quirguistão anunciaram a dissolução do Parlamento e a formação de um governo interino para administrar o país nos próximos seis meses, até a realização de eleições gerais. Bakiyev O presidente Bakiyev chegou ao poder em 2005, liderando uma revolta popular, e conseguiu levar o país a um certo grau de estabilidade, mas foi acusado pela oposição de adotar métodos autoritários e de usar o poder para enriquecer a sua família. O movimento contra o governo ganhou força no mês passado, após um aumento de 200% nos preços da energia elétrica e dos combustíveis. O Quirguistão, uma ex-república soviética de maioria islâmica, abriga uma base militar usada pela Força Aérea dos Estados Unidos no trânsito para o vizinho Afeganistão. O país também é visto como área de influência estratégica pela Rússia. Segundo o correspondente da BBC em Bishkek Richard Galpin, uma fonte próxima ao presidente disse que o país está profundamente dividido entre norte e sul e que o Bakiyev ainda pode retomar o poder.

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