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09/04/2010 - 15h57

Governo Lula deixou oposição 'confusa', diz Cesar Maia

Pré-candidato ao Senado pelo Democratas (DEM), prefeito do Rio de Janeiro por três vezes e uma das vozes mais contundentes e críticas ao governo Lula, o economista carioca Cesar Maia admite que os quase oito anos de administração do PT "confundiram" a oposição, que agora terá que comparar projetos políticos e apontar o "potencial de instabilidade" da candidatura de Dilma Rousseff (PT) se quiser voltar ao Planalto. Em entrevista concedida à BBC Brasil às vésperas do lançamento de José Serra como nome do PSDB para disputar as eleições presidenciais, Maia afirma que, durante boa parte do governo Lula, a oposição ficou dividida entre "apontar para o futuro" ou reivindicar a "paternidade" da estabilidade econômica e de programas como o Bolsa Família, que tucanos e democratas alegam ser inspirado no Bolsa Escola do governo Fernando Henrique Cardoso. "O fato de Lula ter rolado os programas anteriores do governo FHC - estabilidade monetária, Bolsa Escola....- confundiu a oposição, que não sabia se apontava para o passado, tentando resgatar a paternidade dos programas, ou se apontava para o futuro", disse. Para Maia, "somente agora" a oposição parece ter conseguido se "descolar" deste dilema, embora continue presa ao debate econômico em relação ao governo Lula. Questionado sobre os índices recorde de aprovação ao presidente, o ex-prefeito do Rio afirma que Lula foi beneficiado por um "ciclo mundial ascendente" na economia, que alavancou sua popularidade, assim como fez com outros líderes latino-americanos, como os ex-presidentes do Uruguai, Tabaré Vázquez, e do Chile, Michelle Bachelet. E minimiza o impacto da crise econômica mundial de 2008. "A duração da crise foi menor do que se supunha para todos os países", argumenta. Perspectivas Mesmo assim, Cesar Maia diminui a importância da transferência de votos de Lula para Dilma, "que têm DNA diferente", e vê com otimismo as perspectivas de José Serra nas eleições de outubro, afirmando que o ex-governador poderia vencer já no primeiro turno. Para ele, em um cenário em que o pré-candidato do PSB, Ciro Gomes, não concorra e Marina Silva, do PV, perca votos, é possível que o tucano vença a candidata do PT sem a necessidade da realização de um segundo turno. "Se Marina 'emagrecer', Serra ganha no primeiro turno. Claro, não acredito na candidatura de Ciro, que aliás mudaria esse raciocínio", disse. Para Maia, a performance dos candidatos durante a campanha deve ser decisiva nestas eleições, o que seria uma vantagem para o tucano e uma desvantagem para Dilma. "Nos últimos anos, quando as economias não têm crescimento chinês, nem vivem um desastre, as campanhas se decidem por perfomance. Os slogans são cada vez mais impulsões. Nesse sentido, se aprende a fazer campanha, fazendo campanha. Dilma nunca foi candidata a vereadora. Não sabe o que é campanha." Para o democrata, no entanto, caso a eleição presidencial vá para um segundo turno, as dificuldades de Serra poderiam aumentar, pois a concentração em apenas dois candidatos tenderia a facilitar a associação entre Lula e Dilma, tornando a candidata mais competitiva. "No segundo turno Dilma já terá feito seu doutorado em campanha. A TV passa a ser contínua, 10 minutos para cada e Lula aparece com muito maior nitidez. O discurso de criar insegurança nos que recebem as diversas bolsas do governo fica mais fácil pela TV. Por isso, o segundo turno seria diferente do primeiro e Dilma se tornaria mais competitiva", diz. Maia, que afirma que Dilma se aproximaria de um "esquema bolivariano" parecido com o do venezuelano Hugo Chávez caso vença, afirma que o melhor vice para Serra seria o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves, mas que caso isso não aconteça, a vaga deveria se do DEM. "O Democratas, excluindo São Paulo, tem muito mais capilaridade que o PSDB, lidera um segmento estratégico como o agropecuário e afirma teses - como a redução da carga tributária e a defesa do direito de propriedade - que o PSDB tem um certo recato para fazer."

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